A Beneficência
“Todos vós, que podeis produzir, dai; dai o vosso gênio, dai as vossas inspirações, dai o vosso coração, que Deus vos abençoará. Poetas, literatos, que só pela gente mundana sois lidos!… satisfazei-lhe aos lazeres, mas consagrai o produto de algumas de vossas obras a socorros aos desgraçados. Pintores, escultores, artistas de todos os gêneros!… venha também a vossa inteligência em auxílio dos vossos irmãos; não será por isso menor a vossa glória e alguns sofrimentos haverá de menos.
Todos vós podeis dar. Qualquer coisa que seja a classe a que pertençais, de alguma coisa dispondes que podeis dividir. Seja o que for que Deus vos haja outorgado, uma parte do que ele vos deu deveis àquele que carece do necessário, porquanto, eu seu lugar, muito gostaríeis que outro dividisse convosco. Os vossos tesouros da Terra serão um pouco menores; contudo, os vossos tesouros do céu ficarão acrescidos. Lá colhereis pelo cêntuplo o que houverdes semeado em benefícios neste mundo”.
João (Bordéus, 1861)
(Não sei exatamente como citar a bibliografia do Evangelho, mas a mensagem foi retirada do Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIII – Não Saiba a Vossa Mão Esquerda o Que Dê a Vossa Mão Direita, item 16. 125ª Edição. Editora FEB, Rio de Janeiro, 2006).
E estou dando por inaugurada aqui no Bonde a seção das Mensagens da Semana. Já não é novidade a ninguém que sou espírita. Assim, às terças-feiras, vou postar aqui uma mensagem que li durante a semana e que achei que deveria repassar a vocês. Mas os não-espíritas podem ficar tranqüilos que terei o cuidado de passar mensagens válidas a todas as religiões – e até mesmo aos ateus, já que, independente de crença, o amor e respeito ao próximo são coisas que devem ser praticadas diariamente.
Já havia lido esta mensagem antes, mas eu a reli hoje pela manhã. É uma valiosa lição retirada do Evangelho Segundo o Espiritismo.
A INDULGÊNCIA
“Espíritas, queremos falar-vos hoje da indulgência, sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.
A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que não se tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.
A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. Quando criticais, que conseqüência se há de tirar das vossas palavras? A de que não tereis feito o que reprovais, visto que estais a censurar; que valeis mais do que o culpado. Ó homens! quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?
Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.
Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita”.
José, Espírito protetor (Bordeaus, 1863)
(Não sei exatamente como citar a bibliografia do Evangelho, mas a mensagem foi retirada do Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X – Bem-aventurados os que são misericordiosos, item 16. 125ª Edição. Editora FEB, Rio de Janeiro, 1996).
Há algum tempo eu tenho tentado praticar isso. E lhes digo com toda a sinceridade: não é fácil. Não é fácil ver os erros dos outros e não criticar. Não é fácil cuidar da própria vida e deixar que cada um cuide da sua. Muito menos conseguir perdoar o que nos é feito.
O que é fácil é rir do outro e sair divulgando seus erros, tentando ridicularizá-lo ou rebaixá-lo diante de todos. Também é muito fácil apontar o que têm feito de errado e fechar os olhos para nossos próprios erros. E como eu já fiz isso, Deus do Céu! E que atire a primeira pedra aquele que nunca fez. Todos temos telhados de vidro por aqui, mas Deus é tão bondoso que nos dá a oportunidade diária de rever nossos atos e tentar melhorar. Por isso, meus amigos passageiros deste modesto Bondinho, não desperdicem o seu tempo e muito menos essa oportunidade tão maravilhosa que nos é concedida a cada novo dia que nasce. Cada dia é uma oportunidade de recomeçar.
Pensem nisso!
Um ótimo restante de semana para todos.
Acho que todo o mundo que freqüenta o Bonde sabe que sou Espírita, né? Terça-feira, dia 30, foi o último Evangelho no Lar que nós fizemos aqui em casa e eu pedi a Deus que nos enviasse uma mensagem para nos guiar durante o ano de 2009. Abri o Evangelho e achei a mensagem tão linda que fiz questão de dividir com vocês, nesse primeiro post do ano.

IV – Dá-nos o pão de cada dia.
Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo: mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.
O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.
Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte”. Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labora manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.
Ajudas o homem de boa vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV)
Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artifícies do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas. porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti. (Cap.V, nº 4).
Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.
Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem da Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.
Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.
Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.
Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, malgrado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto ès justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.
Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8 )
Afasta, igualmente, do nosso espírito a idéia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem, Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, 9, 12 e 18).
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII – Coletânea de Preces Espíritas, item IV. Editora FEB, 125ª edição. Rio de Janeiro, 2006.
Tradução de Guillon Ribeiro.
Muitas vezes nós vivemos nossas vidas em busca do supérfluo e acabamos não aproveitando, não vivendo e não agradecendo por tudo aquilo o que temos. Quantas e quantas vezes eu já não chorei e esperneei porque meus pais não tinham condições de me mandar para uma faculdade fora e me esquecia de agradecer pela oportunidade de poder fazer uma faculdade ou o quanto meus pais sofriam pra pagar todos os meses a mensalidade? Quantas vezes eu já maldisse Deus por ter me permitido viver com as seqüelas da doença que eu tive, sem ao menos me lembrar de que Ele me deu novamente a oportunidade de viver? Quantas vezes eu já fiz cara feia para o pãozinho francês quentinho, enquanto minha vontade era comer um belo brioche, sem sequer lembrar de que há tantas pessoas que seriam capazes de matar pelo mesmo pãozinho?
São exemplos até mesmo banais, mas exemplos do que acontece no nosso dia-a-dia. Esquecemos do quão agraciados nós somos e vivemos olhando a grama do vizinho, nos comparando a ele, percebendo o que ele tem de melhor e sofremos por isso.
Que 2009 seja um ano em que nós tenhamos que abrir os olhos e agradecer o Pão de Cada Dia. Não que seja errado desejar o Brioche de Cada Dia, mas que façamos isso sem sofrer, sem maldizer, sem inveja, mas com trabalho honesto e principalmente: que sejamos caridosos de dividir nosso Brioche com aqueles que não têm sequer a migalhinha do Pão…
À meia-noite de hoje, enquanto ouvia os fogos, fechei os olhos e pedi que Deus me desse saúde para que eu possa viver e aproveitar a oportunidade dessa minha existência, o combustível da alma: amor, sabedoria pra aprender com os meus erros, caridade para com o meu próximo, força de vontade para dominar os meus maus impulsos, trabalho para que eu possa conseguir o meu Pão e servir o meu próximo, equilíbrio físico e espiritual e principalmente: que Ele jamais me perca de vista um só segundo.
E é o mesmo que desejo a todos vocês.
Feliz 2009!