Não, este não é um post romântico.
Bem, devido ao fato de eu estar temporariamente sem internet, só hoje vou conseguir contar a vocês como foi o meu “Dia dos Namorados”, numa notável referência ao já falecido blog “Senta que lá vem a história”.
Valentine’s Day
Fato 1: Para cair, Stéfanie só precisa estar de pé. MESMO!
Fato 2: Apesar dos 25 anos, Stéfanie ainda não aprendeu a andar de salto alto.
Fato 3: A Lei de Murphy insiste em persegui-la. AONDE QUER QUE ELA VÁ!
Fato 4: O Dia dos Namorados coincidiu com o festival PMW, que trouxe as bandas Ratos do Porão e Pato Fu, dentre outras.
“Eram 23 horas. Stéfanie estava em seu quarto assistindo a filmes melosos na televisão, já conformada por passar a data solitária. Terminava de fazer as unhas e já se preparava para dar um banho de creme no cabelo quando seu amigo Rodrigo apareceu em sua casa.
- Bora pro show do Pato Fu? – disse ele.
Stéfanie olhou para ele com desespero e já começou:
- Ahh não, Guigo! São 23 h e eu…
- Bora logo!
- Mas Guigo, eu não tenho roupa, não tenho sapato pra ir, meu cabelo tá horrível e eu…
- Eu vou te dar um murro! Vai logo se arrumar!!!
Diante da ameaça à sua integridade física, Stéfanie saiu resmungando pro quarto. Tomou um banho, fez uma maquiagem mais ou menos e, depois de brigar uns 10 minutos com os cabelos, resolveu deixá-los soltos mesmo. Por fim, chegou ao guarda-roupa.
Havia sido dia de lavagem de roupas, mas não de “passagem” e a única blusa mais ou menos que tinha no armário era uma fofíssima batinha roxa. O único problema com a batinha era que Stéfanie tinha apenas um sapato para combinar com ela: uma sandália plataforma. Ela pegou as sandálias, olhou, olhou e pensou: “Isso não vai dar certo”. Mas o show seria no Espaço Cultural e havia grandes chances de ser na chamada “Grande Praça”, lugar acimentado, sem grandes relevos ou obstáculos que pudessem fazê-la tropeçar. Mesmo assim, olhou novamente para o guarda-roupa na esperança de encontrar qualquer outra coisa, mas foi em vão. Vestiu a bata roxa e a sandália plataforma e seguiu para o show!
Ao chegar no estacionamento do Espaço Cultural, Stéfanie reparou que o festival seria mesmo na Grande Praça e se aliviou. Guigo cumprimentou o rapaz que estava cuidando dos carros – um ex-colega de trabalho – e os seguiram para o lugar do show.
Enquanto andava na pequena trilha de cimento no meio da grama, Stéfanie, preocupadíssima, procurava a entrada. O Espaço Cultural de Palmas tem dois planos: um na altura do estacionamento e um bem mais embaixo, na altura da avenida Siqueira Campos. A Grande Praça ficava no plano de baixo, cujo acesso é feito por uma escadaria ou por um declive no gramado que é praticamente vertical. Desesperada, Stéfanie constatou que a escadaria estava fechada e via Guigo se dirigir para o declive. Hesitante, ela foi andando atrás dele. Olhou para todas as pessoas em volta. Tinha muita gente, mas a maioria estava bêbada! Stéfanie olhou novamente para o declive. “Definitivamente, isso não vai dar certo!!”. Ao ver que Guigo já estava descendo, ela respirou fundo e foi atrás dele.
No quinto passo que ela deu no gramado do declive, VIROU O PÉ DIREITO, SE DESEQUILIBROU, APOIOU-SE NO CHÃO COM O PÉ ESQUERDO, MAS NÃO DEU CERTO! ELA VIROU O PÉ-ESQUERDO TAMBÉM E CAIU DE BUNDA NO CHÃO!
Guigo correu para socorrê-la.
- O que aconteceu? Você tá bem?
- Ai! – gemia ela – Meu pé tá doendo!
- Você torceu o pé? – disse ele preocupado.
- Acho que sim. Torci os dois!
Stéfanie pegou a sandália e viu o estrago feito: o pé direito estava totalmente rasgado, impossibilitando o sapato não apenas de ser usado, mas consertado.
- Você consegue levantar? – disse ele estendendo a mão a ela.
Stéfanie se apoiou no amigo e conseguiu ficar de pé.
- Vamos voltar à sua casa pra você trocar esse sapato.
Mancando, ela e Rodrigo voltaram até o estacionamento. Com o sapato na mão, Stéfanie evitou olhar para as pessoas ao redor. Quando passou por todos, ela começou a rir e Guigo, que estava só esperando uma oportunidade, caiu na gargalhada também.
- Por que isso acontece comigo, Guigo??? Me fala!!
- A sua sorte é que o povo tava bêbado demais pra prestar atenção em você.
Os dois chegaram ao estacionamento e, enquanto abriam o carro, o rapaz perguntou:
- Ué, já vão embora?
- Ela caiu e arrebentou a sandália. – disse Guigo às gargalhadas.
O cara riu também e Stéfanie começou a bater no amigo.
- Não precisa falar isso!!
- E eu vou dizer o quê? – disse ele ainda rindo.
- Diz que eu arrebentei a sandália, ué! Não fala que eu caí!
Guigo levou Stéfanie em casa. Ela pegou um vestidinho preto qualquer e colocou por cima da calça jeans. Calçou uma sapatilha Moleca preta, prendeu o cabelo e voltou pro carro. Guigo enxugou os olhos quando a viu.
- Tava aqui chorando de rir! – disse ele.
- Você não vai deixar isso passar, vai?
- Claro que não!
E os dois voltaram ao Espaço Cultural. Ao chegarem, Stéfanie ajeitou o vestidinho e disse confiante:
- Quero ver alguém me reconhecer agora!
Ao descer do carro, o cara do estacionamento disse às alturas:
- AHH! COM ESSE SAPATO VOCÊ NÃO CAI DE NOVO!!
Guigo voltou às gargalhadas e Stéfanie, novamente sem graça, saiu andando apressada.
- Vamos logo!!!”
Moral da história 1: Nunca, nunca e nunca use uma sandália plataforma se você não sabe onde é a entrada da festa.
Moral da história 2: Jamais caia na presença do seu amigo mais gaiato que não vai nunca esquecer o seu mico e pior: deixar você esquecer!
O melhor de tudo foi no show. Eu e o Guigo encontramos outros amigos e ficamos ali conversando. De repente, o Chrysippo, outro dos gaiatos, me puxa num canto e fala:
- Stéfanie, eu sempre tive curiosidade em saber como era descer esse declive rolando na grama. Me conta como é!
Destaque para meu olhar fuzilante para o Guigo e suas gargalhadas.
A propósito, eu ainda hoje estou com meus tendões dos pés doendo… Mas já estou bem! Depois posto pra vocês a foto do estrago da minha sandália.
AH! O show do Pato Fu foi ótimo!
Desta vez na ilha de LOST… By the way, se você não assistiu à última temporada, melhor não ler. Sim, meu sonho contém spoilers.

“Stéfanie estava em um avião rumo à Los Angeles. Achou a viagem longa demais e decidiu pedir um copo de água, o que sempre faz quando está ansiosa. Apertou o botão no teto e ficou esperando a aeromoça. Uma mulher ruiva se aproximou e sorriu:
- Pois não?
Stéfanie a observou por alguns segundos. Já vira aquele rosto antes, mas onde? Não conseguia se lembrar.
- Algum problema? – perguntou a aeromoça.
- Não, não. – respondeu Stéfanie – Só quero um pouco de água. Pode me trazer?
- Claro.
A aeromoça saiu em direção ao fundo do avião. Stéfanie, ainda com aquela sensação estranha de Déjà Vu, começou a observar à sua volta e o que viu a deixou estarrecida!
Na poltrona ao lado havia um casal de coreanos. A mulher parecia bem chateada e o homem estava calado. Uma moça de cabelos cacheados estava com as mãos algemadas e o cara ao lado dela parecia ser um policial. Havia um rapaz gordo na terceira fileira, ouvindo um fone de ouvido. E um homem moreno e bem vestido tomava um gole de whisky, enquanto um belíssimo loiro resmungava mal-humorado.
- Não pode ser! – pensou Stéfanie – Estou no avião de LOST!!
Um muçulmano olhou para ela e perguntou se estava tudo bem, ao mesmo tempo em que Stéfanie viu um rapaz loiro parecido com um hobbit seguir para o banheiro.
- É o Charlie! Ele vai se drogar. É agora! – virou-se para o muçulmano – Aperte o cinto.
E foi então que as coisas aconteceram. O avião começou a tremer e, de repente, a parte traseira se soltou. O pânico se instalou, ouvia-se gritos por todos os lados! Pessoas foram puxadas para fora, poltronas voavam! Alguns tentavam se segurar com unhas e dentes e então, a próxima lembrança de Stéfanie, foi a de estar à beira da praia.
Era uma praia belíssima, daquelas que geralmente se vê em fotografias ou na televisão. Mas ela não teve tempo de observá-la direito. Havia muitas pessoas machucadas e todos se socorriam uns aos outros. O moreno bem-vestido parecia ser um médico e fazia alguns procedimentos de primeiros socorros, ao mesmo tempo que uma loira gritava desesperada, em choque. Stéfanie, que também sabia algumas coisas de primeiros socorros, começou a ajudar. E se sentiu feliz por ser parte daquilo, afinal, LOST era sua série preferida!
No dia seguinte, Stéfanie viu Sawyer, Kate, Sayid, Shannon e Boone saírem com o rádio na mão, tentando uma frequência. Viu Jack cuidar do policial que passava muito mal e Hurley se empenhando em cuidar da comida. John Locke estava sempre sentado, afastado dos outros, observando o mar. Mas quando ela passava, ele acenava, como se soubesse de onde ela era. Stéfanie passou a ser parte do grupo, agindo como se não soubesse das coisas que aconteceriam. Seu único receio era em relação a Sayid. Ela tinha medo que o muçulmano se lembrasse de que ela o mandou apertar o cinto antes do acidente e, já tendo visto seus “dotes” como interrogador, resolveu se afastar dele.
Um belo dia, ela foi fazer uma caminhada e, quando voltou, as coisas estavam deveras diferentes.
Seus amigos Losties já não moravam mais à beira da praia, mas sim na vila do pessoal da Dharma e estavam bem ali. A vila era sempre abastecida com a comida que “caía” do céu. Todos já estavam acomodados à nova vida e pareciam até mesmo felizes.
Ao vê-la observando tudo de longe, Sun sorriu e foi ao seu encontro.
- Stéfanie! – disse a coreana abraçando-a – Você voltou!
- Sim. – disse ela confusa – Mas estou vendo que vocês já passaram por várias temporadas – e acariciou a barriga de seis meses de gravidez de Sun.
A coreana sorriu e levou Stéfanie para dentro da vila. Todos correram para recebê-la de volta. Jack, Hurley, Kate e até mesmo Sayid deram-lhe um bom abraço de boas-vindas. A única coisa que realmente a deixou triste foi ver Sawyer, por quem tinha mais do que “uma queda”, agora casado com Juliet que, apesar de não estar no avião, estranhamente já a conhecia e eram boas amigas.
- Temos uma surpresa pra você. – disse Jack abrindo a porta.
E de lá saíra a mãe de Stéfanie, seu irmão Rojas e seu amigo Gauchovisky, que também a receberam com um grande abraço.
- Meu Deus! – disse ela feliz por vê-los – O que estão fazendo aqui?
- Nós soubemos onde você estava. – disse Mara, a mãe – Sentimos saudades.
Stéfanie os abraçava feliz, como há muito tempo não se sentia! Tudo estava bem até que Stéfanie viu um homem parado, escorado na porta. Seus atentos olhos azuis a observavam e ela pôde ver sua mente perigosa maquinando planos.
- O que você está fazendo aqui? – disse Stéfanie afastando sua mãe.
Ele se surpreendeu com a pergunta e deu um sorriso dissimulado.
- Eu moro aqui. – estendeu a mão a ela – Então você é a Stéfanie de quem todos falavam? Que bom que está de volta!
Ela olhou com desdém para sua mão e disse:
- Eu não sou como eles, Ben. Não vou cair nos seus planos! Pensa que não te conheço? Eu sei tudo o que você é capaz de fazer!
Sua mãe segurava Stéfanie.
- O que é isso, filha? Por que você está agindo desse jeito?
- E de onde você e o Ben se conhecem? – perguntou Juliet.
- Ele é o responsável por todas as coisas ruins que acontecem nesta ilha! – gritava ela – Será que vocês não entendem?
- Você foi pega pelo monstro de fumaça preta? – perguntou Rojas – Está ficando louca?
- Não! É claro que não! E ele é o responsável pela fumaça preta! Eu vi! É ele quem a ativa!
Foi um alvoroço. Todos tentavam defender Ben, dizer que era um bom homem que encontraram na ilha. Falavam que ele os estava ajudando nas tarefas diárias e que era uma pessoa pacífica. Ninguém entendia a hostilidade de Stéfanie em relação ao baixinho de olhos azuis. Mara pedia desculpas pela reação da filha.
- Tudo bem. – disse Ben com um sorriso simpático – Ela deve estar um pouco perturbada, afinal, ficou fora por tantos episódios… Aliás, estamos ansiosos em saber o que aconteceu com você neste período, Stéfanie.
E todos novamente se viraram pra ela. Mas Stéfanie não sabia responder. Para ela, havia sido apenas um passeio na beira do mar!
- Acho que é melhor descansar. – disse Juliet pegando em seus ombros – Por que não toma um banho e se deita um pouco? Jack e eu poderemos te examinar mais tarde e, com calma, pode nos contar tudo o que aconteceu. O que acha?
As pessoas começaram a insistir nisso e Stéfanie acabou cedendo.
- Tudo bem. Vai ser mesmo bom pra mim. Mas por favor, acreditem: ele não é quem vocês pensam!
Ben apenas deu seu largo sorriso e fixou o olhar em Stéfanie enquanto ela passava por ele.
- Nós ainda não acabamos, Benjamin Linus. – disse ela quando ficaram lado a lado.
Stéfanie viu os olhos azuis de Ben tremerem levemente e sorriu triunfante. Ela estava certa, afinal!
Juliet a levou até o banheiro onde a deixou à vontade para tomar um banho. Stéfanie se lavava pensando, preocupada com o que havia acontecido. Como podia? Pela manhã ela estava na praia, ainda na primeira temporada e agora todos já moravam na vila! Devia perguntar a Juliet em que ano eles estavam. Assim, poderia se localizar. Estariam na quinta temporada? Talvez. Charlie não estava mais com eles e nem Desmond. Mas onde afinal estava John Locke? Estremeceu. Será que Ben matou Locke?
Neste momento, Stéfanie viu a porta do banheiro se abrir devagar. Amarrou a toalha no corpo rapidamente e, quando a porta abriu um pouco mais, viu Ben do outro lado. Ele tinha raiva em seu olhar, o que a assustou.
- Não vou deixar você acabar com tudo o que consegui até aqui. – disse ele com uma arma nas mãos.
Stéfanie ia se preparar para gritar, mas não foi possível. Gauchovisky passou neste mesmo momento e viu a cena.
- O que houve? – perguntou ele desconfiado.
Ben virou-se para Gauchovisky, mas deixou Stéfanie ver a arma, como um lembrete.
- Eu a ouvi gritar. – respondeu o baixinho de olhos azuis – E vim ver o que era. Não é?
Ele olhou para Stéfanie e ela entendeu o recado: se não confirmasse sua história, Gauchovisky iria morrer.
- Sim. – disse ela por fim – Uma barata saiu de dentro do ralo do banheiro e gritei assustada. Mas ela já voltou para dentro do ralo e está tudo bem.
Ben sorriu novamente e, guardando a arma dentro da calça, saiu do banheiro. Ao ver que ele saíra, Stéfanie chamou Gauchovisky.
- Ao menos você precisa acreditar em mim! Ele não é quem vocês pensam que é! Seu nome é Benjamin Linus e…
- Do que você está falando, Teté? O nome dele é Harry Gale e caiu na ilha de balão!
Ela olhou desapontada para o amigo e se lembrou: Gauchovisky só viu LOST até a segunda temporada!
- É, eu devo estar imaginando coisas. – disse ela.
O amigo sorriu e a deixou novamente no banheiro. Stéfanie se trocou rápido e foi até o quarto que Juliet havia preparado para ela.
- Jack vai examiná-la agora. – disse ela – Posso deixá-lo entrar?
- Claro. – respondeu sorrindo.
Jack entrou no quarto e fez perguntas típicas de uma anamnese a Stéfanie. Mediu sua temperatura e aferiu sua pressão.
- Você está fisicamente bem. – disse ele – A única coisa que podemos diagnosticar é sua perda de memória e a implicância com Ben.
- Você tem alguma ideia do que possa ser? – perguntou Juliet.
- Ela pode ter passado por algum trauma. Talvez o Rojas esteja certo, ela foi pega pelo monstro de fumaça.
- Mas eu e a Kate também fomos e não ficamos assim.
- Cada organismo reage de um jeito. – disse Jack levantando-se.
Stéfanie pegou nas mãos do médico.
- Jack, preste atenção em uma coisa. Eu sei que fiquei sumida por um tempo, embora para mim tenha passado apenas algumas horas. Mas não estou louca! Ben não é quem ele diz ser. Ele é um monstro manipulador. É o responsável por todas as coisas que aconteceram de errado aqui. Acredite em mim!
O médico sorriu.
- Pelo amor de Deus! Você é o homem da ciência, Jack! Nunca se perguntou cientificamente o que seria esse monstro da fumaça? Nunca se perguntou o que aconteceu com o pessoal da Iniciativa Dharma? Ou o que aconteceu ao Locke?
Juliet e Jack se entreolharam.
- Vocês PRECISAM acreditar em mim! Ben tem um plano! Eu ainda não sei o que é, mas ele sempre tem um plano!
- Vamos fazer o seguinte, Stéfanie. – disse Juliet – Durma um pouco, ok? Quando acordar, nós conversaremos sobre isso.
- Mas…
- Eu concordo que há coisas erradas. – disse Jack – Mas sei que está cansada agora. Durma. Assim que acordar discutiremos nós três essas situações. Como pessoas da ciência. Ok?
Stéfanie achou melhor concordar. Todos acabariam dizendo que suas desconfianças eram devido ao cansaço e o único meio de combater esse argumento seria descansando.
- Vou apagar a luz. – disse Juliet – Mas estaremos todos aqui na sala. Se precisar, chame.
Ela concordou e escorou a cabeça no travesseiro, pensando. O que Ben estaria tramando? Como conseguiu fazer com que todos, inclusive Jack e Sayid acreditassem em sua história?
Foi então que Stéfanie olhou para a janela e viu Ben do outro lado, com o mesmo olhar de raiva, apontando a arma para ela. Stéfanie gritou e Sun abriu rapidamente a porta do quarto, acendendo a luz.
- O que houve? – disse ela.
- É o Ben! – apontou para a janela – Ele está tentando me matar.
Sun correu até a janela e olhou para fora, mas já era noite e estava escuro.
- Não vi nada.
- Sun. – disse Stéfanie segurando suas mãos – Nós somos amigas há muito tempo! Você sabe que eu não estou louca! Eu SEI que Ben está tramando alguma coisa e eu posso atrapalhar seus planos!
Sun, vendo o pavor nos olhos de Stéfanie, resolveu acreditar na amiga.
- Tudo bem. – disse puxando-a – Não vou mais deixá-la sozinha, ok?
As duas saíram do quarto. Sun se aproximou de Juliet e perguntou sobre Ben, mas a loira não sabia.
- Estou achando que a Stéfanie tem razão. – disse a coreana – Ela está muito convicta no que diz! Não faria isso se não tivesse certeza do que está dizendo!
- Eu sei. E Jack também acha que tem alguma coisa errada. Ela conseguiu nos convencer.
- Que bom! – disse Stéfanie – Porque pode ser que dê para parar o que quer que o Ben esteja tramando! Ele matou toda a Iniciativa Dharma, Juliet! Eu sei disso! Eu vi! Ele é um monstro! Deve estar tramando algo pior agora!
- Precisamos ir atrás do Ben. – disse Sun saindo da sala – Vou falar com o Jin.
Todos na casa começaram a se movimentar. Kate, Jack, Sawyer e Sayid se armaram para ir até a floresta “caçar” Ben Linus. Stéfanie, Mara, Rojas e Gauchovisky trataram de fechar a casa. Jack deixou com Juliet algumas armas antes de sair.
- Vou verificar se tudo está fechado. – disse ela com a arma em punho.
Rojas, Gauchovisky e Mara foram ajudá-la e Stéfanie se viu sozinha em um quarto. Ela olhou tudo em volta e, de repente, ouviu o barulho da porta se fechando devagar. Ela se virou e lá estava ele: Benjamin Linus. Ao invés de medo, Stéfanie sentiu raiva. Muita raiva daquele baixinho manipulador. Ben a olhava com o mesmo sentimento e se aproximava devagar.
- Agora somos só você e eu. – disse ele parando a poucos centímetros de Stéfanie.
- Exatamente, Ben. – disse ela dando um passo à frente – Você e eu!
Trocaram olhares fuzilantes, como caubóis no faroeste, segundos antes de um duelo. Quando os dois iam começar a brigar”…
Eu acordei!
hahahahahahahaha…
1. Na ilha de “Lost”?
2. Amicíssima de Sun e Juliet?
3. Gauchovisky falando em “Harry Gale” porque só viu até a segunda temporada? hahahahaha… Essa foi a melhor!
4. Preciso urgentemente colocar meu plano de sequestrar JJ Abrams em ação e obrigá-lo a me contar o final de “Lost”.
5. Grande Michael Emerson, o intérprete do irritante Ben Linus! Grande ator!
Hoje eu estava voltando do trabalho correndo, torcendo pra chegar em casa antes da chuva. Mas como minha vida é regida pela Lei de Murphy, no meio do caminho começou a chover. Liguei o “dane-se” e parei de andar depressa, tentando aproveitar os pingos no corpo, pensando que a época da seca estava chegando e eu sentiria saudades daqueles momentos. Foi então que eu vi uma coisa que me deixou pensativa: no meio da calçada havia um formigueiro e uma gota de chuva caiu bem na entrada dele.
Vocês já pararam pra pensar no que uma chuva significa para uma formiga? Um desastre, naturalmente! Uma gota de chuva caindo sobre elas deve ser mais ou menos como sentir um prédio inteiro de concreto caindo na gente. Aquelas menores são as que mais me preocupam: uma gota no chão pode afogá-las!
Enquanto eu via aquela chuva batendo no formigueiro, eu quis me agachar e tentar ajudá-las. Imaginem só! Todos os dias as formigas procuram material pra construir sua casa e, sem nenhum cálculo matemático, conhecimento de engenharia ou qualquer coisa do tipo, elas fazem uma moradia perfeita, eficazmente elaborada. Então, vem a rainha e bota os ovinhos, enquanto as operárias vão atrás de comida pra alimentar toda a comunidade. É uma sociedade admiravelmente perfeita, onde todos trabalham em prol de todos, sem interesses egoístas. Uma coisa admirável, que pode nos servir tão bem de exemplo na nossa vida. Mas que estava sendo destruída por uma chuva.
Então comecei a pensar nos desastres que poderiam estar acontecendo ali naquele momento. Imaginei as formigas correndo, tropeçando umas nas outras, no desespero do instinto da sobrevivência. Fiquei pensando se elas tentavam salvar os ovinhos ou se apenas tentavam não serem soterradas ou afogadas. Imaginei se entendiam o que estava acontecendo, se eram preparadas para aquilo, se sabiam que a destruição era parte da vida. Bem, eu não entendo nada de formigas, mas ao menos nós, seres humanos, sabemos todo o mecanismo por trás dos desastres naturais e, bem ou mal, imaginamos que isso possa acontecer a qualquer um de nós em algum momento da vida. Só não consegui chegar à conclusão de que era melhor saber ou ficar na ignorância. E antes que eu realmente começasse a tentar salvar as formigas, voltei a seguir o meu caminho.
Tentei afastar a imagem das formigas correndo, buscando um lugar seguro o bastante pra se salvarem e foi então que eu sorri. Sorri porque finalmente compreendi o que as pessoas mais sábias querem dizer quando afirmam que a felicidade e as grandes lições da vida estão nas pequenas coisas. Percebi que as formigas, assim que acabasse a chuva, se reuniriam e escolheriam um novo lugar para construir o seu formigueiro. E começariam tudo de novo, com a mesma força de vontade, com o mesmo propósito. Sem se preocuparem se vai haver uma nova chuva ou algum idiota que vai destruir suas casas por diversão. Elas simplesmente tentam outra vez, sem deixar que os medos ou o desânimo as impeçam de recomeçar. E elas conseguem!
E foi então que eu cheguei à conclusão de que realmente temos muito o que aprender com as formigas.
Stéfanie
Hoje eu queria escrever!
Mas escrever sobre o quê? Eu não sei.
Poderia falar sobre a formatura da minha mãe que, depois de 30 anos, finalmente vai ser uma jornalista!
Poderia falar sobre o vestibular que estou querendo prestar, sobre a insegurança de não conseguir, afinal, já há tanto tempo que terminei o 2º grau, mas ao mesmo tempo ficar feliz comigo mesma por acertar uma boa parte das questões de provas antigas…
Ou então eu poderia falar sobre a carreira meio encucada do meu irmão, sobre sua mudança ou não para uma cidade maior, sobre cada um da família seguindo o seu rumo…
Quem sabe sobre a angústia do concurso que não sai, minhas expectativas em me mudar, o frio na barriga em começar uma vida nova, longe da família, dos amigos e de tudo o que eu considerava seguro.
Talvez pudesse falar a respeito de alguma música nova que estou ouvindo, ou sobre as séries que estou acompanhando. Quem sabe até mesmo sobre algumas das notícias que tenho lido nos jornais.
Ou sobre o tempo frio e fresco que está fazendo em Palmas e a nostalgia que isso me dá.
Poderia também escrever uma ficção, uma narração. Idéias vêm aos montes, sempre povoando a minha cabeça, querendo sair, pedindo pra ir pro papel e ser julgada tão cruelmente por mim mesma. Por que a gente nunca gosta das coisas que faz? Aliás, poderia, inclusive, filosofar sobre isso, sobre pessoas perfeccionistas, que nunca estão satisfeitas consigo mesmas e sempre acham que as goiabas do vizinho são melhores.
Mas nada disso está hoje na minha alma. Nada disso está pedindo pra sair hoje.
O que quer sair é algo que está aqui dentro há alguns dias, mas eu não consigo colocar pra fora. O que está pedindo pra sair é um sentimento que ainda não consegui identificar. É uma vontade grande de mudar tudo, de dizer tudo, de gritar, de fazer e acontecer e, ao mesmo tempo, de ficar quietinha no meu canto, olhando, pensando, ponderando…
Muitas coisas acontecendo, boas e não tão boas. Muitas sendo aprendidas e outras tentando serem processadas. Um grito, uma voz, uma pessoa querendo sair, mas receando o mundo à sua volta. Saber o que precisa ser feito, mas faltar a coragem. Inseguranças passeando e pessoas dizendo para não dar ouvidos a elas. Você pode! Você consegue! Reaja! Se joga! Viva!
É estranho. É estranho se olhar no espelho e ver coisas tão diferentes do que se sente. É estranho ouvir pessoas falando a seu respeito coisas que sequer passam pela sua cabeça!
É triste. É triste olhar ao redor e não ver absolutamente nada e nem ninguém que eu gostaria de ver neste momento. É triste achar que o mundo está errado e que você é a única pessoa certa.
Mas é bom. É bom ver as pessoas que eu amo felizes. É bom sentir as sutilezas das mudanças internas e externas do meu mundo. É bom saber sorrir quando as coisas não estão bem. É bom sentir-se amada, querida, necessária. É bom ver as sementes que plantamos dar bons frutos. É bom sentir o vento da mudança…
A vida é uma coisa engraçada. Outro dia eu ouvi alguém dizer que sempre que vemos um espetáculo, não estamos com a alma aberta para apreciá-lo, mas sim para o erro das pessoas. Estamos sempre esperando que as bailarinas deixem de se sincronizar, que os atores errem suas falas ou que os cantores desafinem. E é verdade. O engraçado é que a gente vive assim também. Quando estamos felizes demais, sempre ficamos com medo de acabar a sensação ou estamos céticos demais para acreditar que aquela felicidade realmente existe. Por que nós somos assim? Por que esperamos sempre as coisas ruins acontecerem para vermos o quanto éramos felizes ou para passarmos a dar valor a coisas tão importantes, mas que sempre nos passavam batidos? Por que nunca aprendemos as lições quando as coisas estão bem? Sempre precisamos sofrer, levar um tapa na cara para acordar…
Tantas perguntas, tantas respostas…
É isso o que está pedindo pra sair. E saiu.
É. Eu não sei sobre o que escrever hoje. Mas queria escrever alguma coisa.
Eu estava pensando hoje: existe dieta da sopa, dieta da lua, dieta do sol, das proteínas, das vitaminas, do alfabeto… Por que não existe a dieta da pizza?
Seria um sucesso! A primeira dieta que todos teriam realmente prazer em seguir, afinal, quem não gosta de pizza? Ganharia adeptos no mundo todo, entre crianças, adultos, idosos e Tartarugas Ninja.
Além de tudo, há um certo embasamento científico nisso…
Acredito que todos nós conheçamos a pirâmide alimentar que os médicos, nutricionistas e profissionais da saúde sempre nos empurram, mas nunca chegam a um consenso sobre ela. Segundo a pirâmide, devemos comer carboidratos bons, óleos, vitaminas, proteínas e pequenas quantidades de carboidratos maus (maus pra saúde, mas bom que só para o paladar…). E que lugar melhor para encontrarmos todos esses ingredientes juntos do que numa pizza? Vamos analisar! Uma pizza de calabresa comum tem: massa (carboidratos), queijo (laticínios), cebola (vitaminas), calabresa (proteínas) e azeite (óleos)! Não é maravilhoso? Além disso, há mais um argumento a favor da pizza: você escolhe o recheio que quiser! Então, se alguém está com deficiência de vitamina C, por exemplo, taque tomate na pizza! Precisa de ferro? Pizza com brócolis e agrião resolve o problema. Mas Stéfanie, sou diabético! Não tem problema! Seria desenvolvida uma massa especialmente pra você, assim como para quem tem intelerância à lactose ou a qualquer outro ingrediente que vá na massa. Mas nada de recheios doces, hein?
Agora vamos imaginar como seria o cardápio da dieta à base de pizza.
De manhã, como é saudável comer frutas, poderíamos optar pelas pizzas califórnia, abacaxi ou banana que, cá entre nós, é a minha especialidade. Na hora do almoço, poderíamos escolher as mais nutritivas: calabresa, como já analisada acima, atum, frango, napolitana, portuguesa… À tarde seria bacana comer uma coisinha como a pizza gelatto, pra quem gosta de doce, ou a bauru, pra quem prefere algo salgado. À noite seria extremamente aconselhável comer coisas leves: pizzas vegetariana, margherita ou rúcula seriam o canal! As pizzas mais extravagantes (e mais gostosas), poderiam ficar para o final de semana, afinal, não seria muito saudável comer bacon, quatro ou cinco queijos todos os dias…
A dieta da pizza é boa porque ela pode ser flexível em relação às datas festivas. Festas de aniversário ou páscoa? Pizza de chocolate com direito à velinha. Festinha de criança? Pizza de brigadeiro. Festa Junina? Pizza de milho. Semana Santa? Atum! Bailes de formaturas ou casamentos? Strogonoff, champignon ou aliche.
Agora vamos imaginar se todos no mundo aderíssemos à dieta e comêssemos somente pizza. Não haveria mais mau humor, uma vez que qualquer humor melhora diante de uma boa fatia de pizza! As discussões sobre que tipo de comida se quer comer seriam substituídas pelo tipo de pizza que se quer, porque logicamente haveria pizzarias chinesas, mexicanas, japonesas… (pausa para imaginar a pizza de sushi). Nas praias seriam servidas as maravilhosas pizzas de camarão e outros mariscos. Ao invés de pratos típicos de cada região, passaríamos a ter a pizza típica. A do Tocantins seria a de frango com pequi. A de Minas Gerais, certamente a de doce de leite. A do Rio poderia ser a pizza de feijoada, enquanto a do Rio Grande do Sul seria a de churrasco (alguém tinha qualquer dúvida em relação a isso?).
Eu acho que o mundo só tem a ganhar com a dieta da pizza. Aliás, eu muito me admiro que eu, uma reles mortal, tenha sido a primeira pessoa a ter essa sacada tão lógica! Mas é claro! Nada de bordas! Afinal, é uma dieta e catupiry ou cheddar são alimentos altamente “engordativos”.
Stéfanie
Desta vez fui perseguida por um personagem bem inusitado: Lampião!
“A situação estava feia na casa de Stéfanie. A falta de dinheiro obrigou os moradores a fazer da casa uma espécie de SPA. Assim, os banhos relaxantes na banheira e a piscina refrescante no calor infernal de Palmas, começaram a fazer sucesso.
Certo dia, uma senhora alugou o banho de banheira com vários sais e Stéfanie logo a reconheceu: era Sônia, sua professora de geografia do segundo grau. Enquanto ela preparava o banho da professora, as duas colocavam a conversa em dia e, de alguma forma, começaram a falar de livros. Sônia revelou estar lendo um dos livros do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato e passou a contar um pouco da história. Stéfanie já tinha lido vários do Sítio, mas ainda não conhecia aquele que a professora falava, o qual aparecia Lampião (???). Assim, a Sônia deu o livro para que Stéfanie o lesse enquanto ela tomava seu banho.
A parte a seguir do sonho é um pouco obscura, pois de alguma forma, enquanto eu lia o livro, Lampião saiu da história, assim como a Emília e a Narizinho. Lembro-me vagamente da Emília falar algo sobre o “pó de pirlimpimpim”, mas honestamente, não me lembro do que aconteceu para que saíssem do livro e fossem parar na minha sala.
Enquanto lanchavam, todos conversavam, contando suas aventuras. Lampião estava sentado ao lado de Stéfanie, que o observava atentamente. Ele não se parecia em nada com o que era mostrado nos livros de história! Lampião não estava vestido de cangaceiro e nem era feio a dar com o pau. O homem era bonitão! Baixinho, ranzinza, mas bonito. E estava vestindo umas roupas marrons de um tecido grosso, andava descalço e não usava aquele chapéu estranho.
Em um dado momento da conversa, Lampião falou o nome de uma cidade (que não me lembro agora) e dizia que era a capital de um país (que também não sei qual, só sabia que era na Ásia). Stéfanie discordou prontamente! Virgulino estava viajando! O cangaceiro teimou e ela, em sua terrível arrogância de virginiana quando acha que está certa (afinal, o que um cangaceiro que mal sabia ler poderia saber dos países da Ásia mais do que ela, que havia estudado?), resolveu tirar a prova. Mas, ao invés de ir incomodar a professora de geografia, resolveram olhar no Google. E pra surpresa dela, Virgulino estava certo.
- É, você tem razão, Lampião. – Stéfanie disse.
- Eu disse a você. – respondeu ranzinza o cangaceiro – E agora você vai ter o mesmo destino de todos que dizem que estou errado quando estou certo: o meu facão!
Stéfanie olhou para Lampião sem acreditar muito no que estava ouvindo. Afinal, aquele Lampião não era exatamente como o cangaceiro da história. Ele vinha de um livro infantil! Como um cara que vinha de um livro infantil poderia matá-la a sangue frio por uma coisa tão besta?
- Depois do almoço. – insistiu ele – Se prepare porque você vai morrer.
Stéfanie desceu, almoçou com todos da casa e do SPA. Na hora da sobremesa, estava conversando com sua mãe, quando Lampião subiu anunciando que ia buscar o facão. Ela olhou pra mãe que era da mesma opinião: Virgulino jamais cumpriria sua promessa por ter vindo do Sítio do Picapau Amarelo! Porém, as duas ouviram o cangaceiro descer as escadas afiando o facão.
- Corre, Stéfanie. – disse sua mãe baixinho – Por via das dúvidas, corre.
Assim, Stéfanie saiu da mesa sem fazer muito barulho e correu pelas ruas, sabendo que Virgulino estava atrás dela. Mas como era uma atleta (??????), Stéfanie tinha uma grande vantagem em cima de Lampião, que estava correndo descalço. Além disso, aquelas ruas eram familiares a ela, que morava ali há 14 anos.
Ao sentir que já não conseguia mais correr, Stéfanie virou uma esquina e pulou o muro (????) da casa de uma vizinha, rezando para que ali não tivesse cachorro. Conseguiu esconder-se antes que Lampião passasse por aquela rua e o viu seguir outro rumo diferente. Enquanto respirava fundo, Stéfanie viu um cachorro pastor alemão se aproximar.
- Calma. – dizia a si mesma – Se você não demonstrar medo, ele não vai fazer nada. Calma!
Foi então que apareceu mais um poodle, um pincher e um vira-lata. Os três cachorros vieram até Stéfanie para cheirá-la. Expert em psicologia canina, ela pensou que deveria brincar com eles e os chamou. Eles se aproximaram e viraram as barriguinhas para que ela pudesse acarinhá-los. No momento em que Lampião passava de novo pela porta da casa, o pastor alemão veio até Stéfanie. Vendo o cangaceiro logo à frente e o cachorro cheirando seus pés, ela tomou a decisão mais corajosa de sua vida: acariciou a cabeça do cachorro. Para seu alívio, ele começou a lamber sua mão.
Assim que Lampião, com o facão em punho, tomou outro rumo, Stéfanie resolveu entrar na casa. Havia ali um casal de velhinhos, que assistia a televisão.
- Com licença. – disse ela da porta da casa – Desculpe por invadir sua casa desse jeito, mas é que tem um cara me perseguindo, querendo me matar e eu queria saber se eu poderia me esconder aqui.
Os velhinhos arregalaram os olhos e, muito solícitos, disseram que sim. Então, ela se escondeu no cantinho de uma parede, sentada no chão, enquanto a velhinha colocava sua poltrona em sua frente. De onde ela estava, podia ver claramente Lampião andando de um lado para outro na rua, cada vez mais furioso. Em uma das vezes, ela o vi olhar para dentro da casa onde estava, mas Stéfanie se encolheu tanto, que o cangaceiro não a viu. O filho mais velho da velhinha chegou e perguntou o que ela fazia ali. Após contarem toda a história e ele só acreditar quando viu ele mesmo Lampião andando na frente de sua casa, o rapaz disse que Stéfanie deveria chamar a polícia, já que o cangaceiro era um homem cruel e poderia matá-los todos por escondê-la.
Stéfanie não entendeu como ela não havia pensado naquilo antes! Ainda escondida, discou o tal 190 e uma telefonista dizia que aquele número era só um número de emergência, mas que deveria ficar atenta pra ouvir o código para discar o tipo de emergência que teria. Irritada, Stéfanie desligou o telefone e a velhinha me falou o outro número da polícia (o engraçado é que eu acho que reconheço o número que ela me deu, mas não sei de onde… Mais tarde eu disco pra saber!). Assim, Stéfanie disca e fala com uma telefonista. Após contar toda a história, ela disse que chamaria o Detetive Gouveia (?????) e a colocou naquelas irritantes musiquinhas de espera. Enquanto esperava, Lampião passou novamente pela porta da casa e olhou fixo para dentro. Foi então que ele viu Stéfanie e sorriu. A velhinha, muito corajosa, perguntou:
- Você é o Dito-Cujo?
Stéfanie quis bater na velha senhora! Se Lampião tivesse alguma dúvida em tê-la visto, a velhinha acabara com todas elas!
- Sou eu mesmo. Lampião! – disse ele ainda sorrindo.
- Você é um monstro! – disse a senhora.
- Você não vai levá-la! – disse o filho dela.
- Não vou levá-la. – disse Lampião – Mas se ela não sair daí agora, eu vou matar todo o mundo dessa casa e mais esse bando de cachorro!
Stéfanie desligou o telefone, saiu de trás da poltrona e levantou as mãos.
- Estou aqui, Lampião. Por favor, deixe-os em paz. Eles não fizeram nada.
Lampião não respondeu. Apenas abriu o portão para que Stéfanie saísse. A velha senhora começou a chorar e segurou o braço dela.
- Não vá minha filha…
- Por favor, ligue para polícia novamente e fale com o Detetive Gouveia. – Stéfanie disse baixinho, sem que o cangaceiro ouvisse.
Ela abaixou a cabeça e saiu da casa junto de Lampião. Stéfanie já subia a rua em direção à sua casa, quando ele apontou um outro caminho: o da praça. Enquanto caminhavam, ela não observava muitas coisas. Estava triste, cabisbaixa, pensando que nunca imaginara que sua vida valeria menos do que um conhecimento sobre uma capital. Olhava para os lados imaginando como a polícia ia descobrir que estavam na praça ou se a bendita telefonista iria conseguir encontrar o detetive Gouveia antes que fosse tarde demais. Foi quando passaram em frente à Casa de Maria e Stéfanie levantou a cabeça para olhar. A missa ja havia terminado, mas ainda havia algumas pessoas ali rezando.
- Quer fazer suas últimas orações? – perguntou Lampião.
- Eu posso?
- Claro. Não vou mandar ninguém pro céu sem avisar. Vai lá. Mas não tente nenhuma gracinha!
Então, nós entramos na Casa de Maria. Havia ali muitas pessoas fazendo orações também e Stéfanie seguiu para a sala do Santíssimo. As luzes estavam acesas, tanto do altar quanto da sala em geral. Lampião se sentou em uma cadeira e ela se ajoelhou diante do Santíssimo.
- Que ironia eu estar numa casa católica depois de tudo. – Stéfanie pensou, embora soubesse que havia Espíritos Superiores ali.
Então, começou a rezar e com a emoção das palavras, vieram as lágrimas. Foi neste momento que Marúzia, uma amiga da família desde que Stéfanie tinha 2 anos de idade e a fundadora da Casa de Maria, apareceu.
- Oxente, Teté. O que foi? Tá chorando por quê?
Ao ouvir a voz da Tia Marúzia, Stéfanie se agarrou a ela e chorou desesperadamente, enquanto tentava acalmá-la com seu ainda forte sotaque paraibano.
- Tia Marúzia, você pode me fazer alguns favores?
- Claro. – dizia ela.
E sem contar o que estava acontecendo. Stéfanie começou a pedir que Marúzia desse alguns recados pra ela. A tia ouvia tudo com atenção, mas não entendia o que estava havendo.
- Aquele homem ali é Lampião! E ele vai me matar agora!
Marúzia olhou para aquele homem e não acreditou. Deu uma risadinha e olhou para Stéfanie, que, ainda em desespero, contou toda a história.
Porém, enquanto contava tudo, Stéfanie começou a ter uma calma surpreendente. Tinha certeza do que aconteceria dali pra frente.
Já havia dado tempo da velha senhora chamar a polícia, que já estaria a caminho. Lampião estava com umas roupas bem estranhas e ainda segurava um facão! Não seria difícil para a polícia encontrar um homem que chamasse tanta atenção assim. Eles invadiriam a casa, Lampião a tomaria como refém… Seria uma coisa muito dramática. A polícia começaria a negociar a liberdade de Stéfanie com o cangaceiro, que seria irredutível, até que algum atirador de elite escondido no telhado de alguma outra casa em frente, daria um tiro em Lampião e Stéfanie correria para junto da polícia. O final seria feliz, mas Stéfanie ainda pensava em quê exatamente ela deveria processar Lampião, para que ele ficasse um bom tempo na cadeia. Porém, Teddy, filho de Marúzia, era agora um advogado e Stéfanie sabia que seu “irmão” daria um jeitinho.
Ela enxugou as lágrimas e, quando a polícia entrou na Casa de Maria, Stéfanie acordou”.
Que horror! hahaha…
1. Minha casa virando um SPA?
2. Minha professora de geografia?
3. Lampião no Sítio do Picapau Amarelo?
4. Eu pulando muros e alisando cachorros?
5. Lampião sendo tão bonzinho a ponto de me deixar rezar antes de morrer? hehehehe…
6. E depois de tudo, eu pensando em processar o Virgulino? Vai ser detalhista assim lá não sei aonde! uhauhauha…

“Estava bem claro em sua agenda o que deveria fazer: procurar um vídeo interessante para colocar em seu blog. Com mania de organização, havia até mesmo especificado o tempo para revistar o Youtube. Mas, ao se sentar à frente do computador, ela não tinha ânimo algum pra procurar nada na internet. Nem mesmo checar seus e-mails. Muito menos responder aos comentários no blog ou orkut. Ela só pensava em uma coisa: o encontro que tivera mais cedo. Se é que poderia ser chamado de ‘encontro’.
Lá estava ela, no supermercado, fazendo compras para o jantar. Escolhia com cuidado os produtos para não passar o valor do tão contado dinheiro que havia em seu bolso. De repente, ao avançar com o carrinho, ela a vê passar. As duas se viram, mas os olhos não se encontraram. As mágoas, as chateações do passado, a raiva nas palavras e os e-mails cruéis não permitiam esse contato. O mais natural era simplesmente virar o rosto e continuar as compras, como se nada tivesse acontecido.
Mas as coisas não foram bem assim.
Algo havia acontecido!
Com o coração aos pulos, não conseguia mais prestar atenção no rótulo do pão que segurava. A data de fabricação, apesar de estar bem destacada, fazia questão de desaparecer da frente dos seus olhos. Tudo o que pensava era naquela pessoa que foi tão importante em seu passado e que agora era uma estranha. Não porque a vida as fez assim, mas porque se obrigaram a serem desconhecidas uma para a outra.
De repente, todas as boas lembranças apareceram. As risadas, as confidências, os bons momentos, as lágrimas derramadas sendo acalmadas com a voz doce dizendo que tudo ficaria bem, a saudade nos tempos da faculdade, que as obrigavam a contar os dias dos feriados e férias para se verem de novo! Todos aqueles anos de amizade, de bela e pura amizade, simplesmente colocados numa lata de lixo. Aqueles olhares de cumplicidade, interpretados sem nenhum mistério, não conseguiam se encontrar.
Quanto tempo havia? Um ano? Dois? Isso. E ao longo desses dois anos, ela nunca havia deixado de se preocupar. A ex-amiga fazia parte de quase todos os seus sonhos, suas orações… Naquela mesma semana, ela imaginara por onde andara aquela garota, que não via há tanto tempo. Imaginara o que aconteceria se a visse novamente, se iria abordá-la, se iriam se falar… Mas tudo na fantasia foi tão diferente!
Todos esses pensamentos passavam por sua cabeça enquanto ela se forçava a observar a data de fabricação do pão. Decidiu que daria logo um fim nas compras e iria pra casa. Estava perturbada, chateada, triste, com o coração aos pedaços! Como uma pessoa tão importante em nossas vidas, como um carinho tão bonito, um amor de irmãs, podia se transformar em mágoas, raiva e sentimentos negativos?
Ela entrou na fila do caixa do supermercado e, para sua surpresa, a ex-amiga estava à sua frente, de mãos dadas com o novo namorado. E ela sequer sabia o nome dele! Que diferença da época em que sabia de cor todos os detalhes dos caras que passava pela vida dela!
Ficou ali, na fila, esperando, observando-a com os olhos baixos por alguns instantes. Por suas roupas, havia acabado de sair do trabalho também. E seus cabelos estavam tingidos de outra cor. Uma cor que sequer imaginaria que um dia a veria! Estava diferente, sem dúvida. Mas seria apenas seu exterior? Será que ela havia amadurecido também? Será que era agora uma mulher diferente da garota que chamava de amiga?
Levantou a cabeça por menos de um segundo. Deveria ir até lá e dizer ‘Oi, tudo bem’? Ou seria melhor continuar de cabeça baixa, fingindo que não a via?
Enquanto não se decidia, a moça do caixa ao lado acenou e ela, saindo da fila, foi até lá. Sem coragem de olhar de frente e encarar a ex-amiga. Virou novamente o rosto quando ela passou e sequer conseguiu ver sua expressão. Será que fechara a cara? Será que manteve o rosto indiferente? Será que ficara triste também?
Foi passando suas compras com o coração nas mãos. Quantas vezes pedira a Deus por aquele momento? Quantas vezes gostaria de encontrá-la novamente, abraçá-la e dizer o quanto ela fez falta naqueles dois anos? Quantas vezes imaginou que se veriam de novo, resolveriam os problemas e tudo seria como antes?
Mas as mágoas… As malditas mágoas!
A maldita raiva!
O maldito medo do orgulho ferido.
O medo de ir até lá e ser recebida a pontapés.
O medo da outra pensar que estava novamente bancando a santinha! Ou de achar que estava arrependida e que tivesse ido atrás dela como um cachorrinho!
Mas que diabos! Ela não aguentava mais aquela situação! Ela estava arrependida! Ela queria ir lá! Queria a amiga de volta! Por que não podia simplesmente chamá-la pelo nome e dizer tudo isso?
Por que gostamos de complicar as coisas mais fáceis?
Quantas vezes já lera textos sobre perdão, sobre oportunidades perdidas e jurara jamais perder um momento para se reconciliar?
Mas já era tarde. A ex-amiga saiu do supermercado de mãos dadas com o namorado e ela ficara ali, esperando a caixa terminar de passar as compras, se martirizando por dentro, por tudo o que havia pensado e planejado para aquela situação ter ido por água a baixo.
Mais uma oportunidade perdida. Mais um momento desperdiçado.
Saiu do supermercado pensando que na próxima vez não deixaria isso acontecer. Iria falar com ela, mesmo que fosse ignorada ou recebida com sua pior cara ou, pior, com indiferença. Estava decidida quanto a isso!
Mas a dor no coração a seguiu até em casa com uma horrível possibilidade povoando sua mente: a próxima vez pode não chegar.
A próxima vez pode ser tarde demais”.
Stéfanie
PS. Não preciso dizer que sou eu refletida neste texto, não é?
Freqüentemente tenho sonhos fantáááásticos. Se eu fosse cineasta e fizesse filmes baseados em meus sonhos, com certeza ganharia o Oscar na categoria Trash ou Sci-Fi Sem Noção. O que eu acho mais engraçado é que meus sonhos têm um começo, um meio e um fim. Sei lá, deve ser coisa de escritor! hehehe…
Este foi um dos mais recentes que tive… E não me perguntem por que diabos eu estava com essas coisas no meu subconsciente!

“Após um agitado dia na grande metrópole que Palmas – To. havia se tornado, Stéfanie voltava para o apartamento onde morava com sua família. Ao abrir a porta, seu irmão, Rojas a chamava para assistir imediatamente à reportagem da televisão.
- Corre, Tefa! – ele dizia – “Lost” foi cancelado! Vem ver.
- What a f**k?
Já xingando a pobre mãe de J.J Abrams, Stéfanie foi até lá e ficou horrorizada com o que viu. A produtora cancelou a série sem dar maiores explicações. Nem J.J. Abrams, nem os escritores ou o elenco foram encontrados para dar qualquer informação ao público.
- Tudo o que sabemos – dizia o repórter – é que os produtores deixaram um presente aos fãs da série. A revista de distribuição mundial “SuperInteressante” traz um pequeno CD que revela em tecnologia 3D o que afinal aconteceu com Jack e os passageiros do Oceanic 815.
- Vamos comprar agora! – Stéfanie disse a Rojas, já saindo de casa.
E assim fizeram. Os dois irmãos foram até a banca mais próxima e compraram um exemplar da revista. Ansiosíssimos, voltaram pra casa e a abriram. Como dizia a reportagem, havia um pequeno CD. Stéfanie procurou o índice e leu.
- Parece fácil. É só colocar o CD em uma superfície plana e dizer três vezes estas três palavras em japonês.
- Você fala japonês? – perguntou Rojas.
- Não, mas posso tentar. Vamos pôr o treco no chão.
Assim foi feito. Os dois sentaram-se no chão e puseram o mini-CD à sua frente. Stéfanie tomou a revista em suas mãos e leu as três palavras.
E então, algo estranho aconteceu. Houve uma pequena falha de luz, seguida por um tremor de terra.
- Você sentiu isso? – perguntou Stéfanie.
- Sim, mas não é nada. E você falou errado! Não vi nem Jack e nem Kate aqui. Deixe eu tentar agora.
Rojas falou as palavras e novamente se repetiu a falha de luz e o tremor de terra.
- O que é isso? – disse Stéfanie.
- Ah, não sei! Sei que tô muito p. da vida! – disse ele levantando-se do chão – Que coisa! Por que logo o nosso veio com defeito? Vamos ligar na Central da SuperInteressante e…
Neste momento, Rojas olhou para a janela e se calou. Stéfanie, vendo o olhar chocado do irmão, resolveu seguir a direção e também ficou paralisada!
No meio dos grandes prédios e arranha-céus da metrópole Palmas, havia dois gigantescos monstros, um verde e um rosa-choque.
- What a f**k? – exclamou Stéfanie novamente, ouvindo de fundo os gritos da população.
Em um misto de choque e pavor, os dois ficaram olhando os monstros devorando pessoas e prédios.
- Ele está vindo pra cá! – disse Rojas apontando para o monstro verde.
Os irmãos saíram do quarto e correram até a sala, tentando se esconder debaixo do sofá. O monstro verde chegou perto do quarto onde estavam e comeu metade da parede com vidro, alumíno, móveis e tudo.
Na sala, a televisão ainda estava ligada:
- Não sabemos ainda o que está acontecendo. – dizia o repórter em pânico – Sabe-se que esses monstros saíram de dentro da terra e estão acabando com o mundo inteiro! Metade da população de Tóquio já foi devastada! A Europa está em pânico! Algumas pessoas associam o aparecimento das criaturas ao mini-CD distribuído pela Revista SuperInteressante e…
O repórter foi devorado por um monstro amarelo.
- Foi a magia que fizemos que libertou o monstro! – exclamou Stéfanie – Precisamos descobrir como reverter isso!
- Se nós sairmos vivos daqui! – disse Rojas – Cuidado!
Um monstro roxo passou pela janela e quebrou o vidro. Stéfanie e Rojas, assustados, saíram do apartamento. Tentaram pegar o elevador, mas estava demorando demais e correram até a escada, onde encontraram vários outros vizinhos em pânico, tentando fugir.
- Não podemos sair do prédio! – dizia um dos vizinhos – Os monstros comem de tudo, tijolos, vidros, árvores, terra! Não há lugar para se esconder!
- Eu quero sair daqui! – disse outro vizinho desesperado.
Todos tentaram impedir o tal vizinho de correr, mas quando o monstro rosa-choque comeu o topo do prédio, ninguém mais conseguiu detê-lo. O velhinho careca correu em direção à praça em frente, mas não conseguiu chegar lá. O monstro rosa-choque o esmagou com a pata e o pegou com a boca.
- Meu Deus! – exclamou Stéfanie – E agora? O que nós vamos fazer?
- Há mais monstros lá fora! – dizia uma mulher loira.
Horrorizados, viram os monstros pegando carros, arrancando árvores, destruindo prédios e até mesmo brigando entre si. Cada pessoa que fez a magia liberou um monstro e somente em Palmas havia cerca de 100.
Um monstro roxo os viu e todos correram novamente para se esconder. Os vizinhos que estavam mais embaixo não conseguiram sobreviver. Stéfanie e Rojas voltaram para o apartamento. Ela se escondeu embaixo da cama, enquanto o irmão corria para o banheiro.
Escondida ali, Stéfanie reparou que o CD e a revista aberta ainda estavam no chão.
- Se eu sobreviver a isso, juro que abro um processo contra essa maldita revista!
Ao pensar isso, um monstro verde-bebê a viu e, correndo, foi até ela. Em pânico, Stéfanie fechou os olhos e, sem pensar, totalmente por instinto, repetiu novamente três vezes as palavras em japonês.
Um clarão obrigou-a a abrir os olhos de novo e, ainda chocada, Stéfanie viu o monstro ser sugado para dentro do mini-CD.
- É isso! – disse Stéfanie saindo debaixo da cama – Temos que falar as palavras na frente do monstro para que ele seja sugado para o CD!
Espalhando a descoberta, várias pessoas fizeram o mesmo. A corajosa Stéfanie saiu até a rua e colocou um CD. Quando um monstro vinha em sua direção, ela repetiu as palavras, mas não surtiu efeito!
- Você não está falando direito! – disse um dos vizinhos, imigrante japonês, e repetiu as palavras com a pronúncia correta.
Stéfanie agradeceu e começou a correr por toda Palmas prendendo os monstros novamente no CD.
Algum tempo depois, Stéfanie, Rojas e seus pais estavam sentados na sala de sua casa, ou em meio ao que restou dela, assistindo às reportagens da TV.
- Uma moradora da cidade de Palmas, no Tocantins, conseguiu descobrir como prender os monstros novamente. Depois de muitos estragos a paz mundial voltou a pairar. Ao que parece, todos os envolvidos na produção da série Lost foram seqüestrados por uma quadrilha que tencionava dizimar a população mundial. Uma das mulheres do grupo se disfarçou de repórter da Revista SuperInteressante e, após a edição ter sido mandada para a impressão, substituiu a reportagem principal e distribuiu os mini-CD’s. A quadrilha foi presa e o mundo está se reunindo para reparar os estragos”.
1. Metrópole Palmas?
2. Meus pais vivendo em um apartamento?
3. Lost finalizado sem explicações? Seria mais do que um pesadelo!
4. Revista SuperInteressante de distribuição mundial?
5. Monstros coloridos?
6. Corajosa Stéfanie?
7. Por que eu consegui libertar o monstro, depois colocá-lo novamente no CD e só depois, na terceira tentativa o japonês me disse que minha pronúncia não estava correta?
8. Como, afinal de contas, eu consegui que o mundo inteiro soubesse como prender os monstros? Alguém tem uma teoria?
Bem, juro que sonhei tudo isso e com todos os detalhes! Afinal, meus textos não deixam tantas perguntas em aberto… hehehe… Não há exagero poético, até as reportagens, cores dos monstros, imigrantes japoneses e velhinhos carecas estavam no sonho. Inclusive a imagem em preto e branco de uma câmera gravando o momento em que a agente disfarçada trocava as reportagens. A única coisa que fiz foi diminuir um pouco a questão do pânico na cidade, ou ficaria cansativo, já que foram tempos correndo dos monstros.
Mas não sei o porquê de ter sonhado essas coisas. Não vi Jurassic Park naqueles dias e nem desenhos japoneses com monstros gigantes. E nem assisti ao filme “Jumanji”, o que foi a primeira coisa que o Rojas falou. Pelo que ele disse, há uma parte do filme em que as criaturas são sugadas para não sei onde…
Ah! Eu gostaria de pedir desculpas ao J.J, Abrams por ter xingado a mãe dele e à revista SuperInteressante… Desculpem! Mas não consigo controlar meu subconsciente…

“Hum… Ótimo! Restaurante cheio hoje! Bem que me falaram que a crítica negativa daquele jornalistinha de merda só iria aumentar meu movimento! Ótimo, ótimo! Oh, o deputado apareceu! Maravilha! Vou até lá cumprimentá-lo. E que loiraça ele trouxe! Bem melhor do que a cara-de-bunda da mulher dele. É… Vou largar esse negócio de restaurantes e virar político. Ao menos posso comer umas beldades dessas. Merda! Aquela socialite chata de novo! Insuportável ter que sorrir pra essa mulher! E está com mais um dos seus gigolôs novinhos. Pouca vergonha! Mas ao menos ela consome muito. Gorda assim… Vou lá na cozinha ver se está tudo bem. O novo chef é meio difícil, mas é competente e é o que me importa. Que porra de barulho foi esse? O que está acontecendo? Puta que o pariu! Não acredito que aquela garçonete imbecil derrubou vinho na loira do deputado! E meu vinho mais caro! Chega! Foi a gota d’água! Vou despedir essa cretina agora mesmo! Rua!”.
“Lá vem o dono com aquele sorrisinho amarelo me agradecer mais uma vez por freqüentar esta espelunca depois das críticas. Mas tá muito interessado na minha loira! Merda, eu sabia que era melhor um lugar mais reservado, mas ela insistiu tanto… E o que um deputado não faz pra agradar seu eleitorado? Ou melhor, um homem pra comer uma mulher? Vai cumprimentar a socialite, cara! Isso! Vá embora e me deixe fazer meu jogo pra arrastar essa gostosa pro motel. Vou pedir o vinho, o mais caro da adega, sei que ela gosta é de ver dinheiro. E o que me importa? Quero mais é aproveitar que minha mulher viajou pra ficar com a cobra da minha sogra no hospital e garantir minha noite! Eu sabia que o pedido do vinho faria sucesso. Essa mulher tá no papo! Só não posso me esquecer de vestir eu mesmo a camisinha. Não tô a fim de ser chantageado por nenhuma vigarista com o golpe da barriga. Não! Essa aí vai ser uma noite boa de diversão, sem a garantia de dor de cabeça depois e… Que merda é essa? Isso é mesmo uma espelunca! Em que tipo de restaurante o vinho vai parar na roupa do cliente? Porra! Lá se foi minha noite por água a baixo”!
“Preciso agradecer à Ana por ter roubado esse vestido da patroa dela. Tenho que ter o máximo de cuidado pra devolvê-lo amanhã. É perfeito e teve exatamente o efeito que eu queria: todos os olhares! Onde está o Hugo? Achei! Não ria, Amanda! Se controle pra não rir da cara dele agora que te viu com o deputado. Idiota! Se achava que ia me trocar por uma socialitezinha de merda e ficar tudo bem, tá muito enganado. Há muitas vantagens em ser mulher, meu caro. Uma delas é chamar atenção de homens ricos e poderosos como um político. Qual é mesmo o nome dele? Ah! E daí? Só quero garantir que o Hugo veja quem está comigo. Minha armação pra descobrir onde viriam foi perfeita, mas melhor ainda foi minha ‘habilidade’ em trazer o deputado até aqui. Oh, Deus! Novamente, obrigada pelas minhas curvas! O que uma mulher não consegue? Nossa, que perua velha! Como o Hugo pôde trocar um mulherão como eu por uma coroa gorda? Sei que a coroa gorda é rica, mas também chegarei lá! Com esse corpo posso arranjar um bom velho pra dar aquele golpe! Mas este deputado está fora de cogitação! Que sujeito asqueroso! E está realmente pensando que vai me comprar com esse vinho caro e essa conversa mole. Ah, coitado! Se acha que vai me levar pro motel hoje está muito enganado, meu querido! Nem hoje e nem nunca! Hugo está vendo? Ah, é claro que está! Ele não desgruda os olhos de mim! Eu sei que ainda me ama… Otário! Ah! Não acredito! Essa mulher derrubou vinho tinto no meu vestido! E o imbecil do Hugo vendo tudo! E agora? Como vou pagar por isso? Não tenho dinheiro nem pra calcinha que tô vestindo! Ah, eu mato essa vadia! Ela vai me pagar cada centavo! Oh, Deus! Estou perdida! O vestido branquinho da patroa da Ana”…
“O bom de ter contatos é poder conhecer as socialites solitárias. A grana anda curta e trabalhar nem pensar! Melhor dar umazinha com a coroa e conseguir alguns trocados. E sei bem como fazer isso, é minha especialidade! Só dobrar a velha e… Mas o que é isso? O que a Amanda tá fazendo aqui? Quem tá com ela? Merda! Odeio esses restaurantes metidos a chique em que o dono vem conversar com os clientes! E aposto que odeia essa gorda tanto quanto eu. Sai da frente, porra! Não acredito! É aquele deputado de merda! Ah, Amanda! Veio aqui de propósito, eu sei! Te conheço e não é de hoje, vigarista! Mas se acha que vai me provocar ciúmes tá muito enganada. Antes de acabar com a minha noite, acabo com a tua, vagabunda! Não vai pra cama com deputadinho nenhum, não! Você é minha, bandida! Preciso dar um jeito nisso. Aquela garçonete está indo para a mesa deles? É minha chance! Perfeito! Ótima trombada! O vinho caiu todinho no vestido da vadia. Isso é pra você aprender a não me provocar, vigarista”!
“Ai, Deus, proteja meu filho! Detesto deixá-lo em casa doente, mas se não viesse trabalhar hoje, certamente seria demitida. E preciso tanto desse emprego… O chefe é insuportável, mas o pagamento é bom e preciso manter meu filho na escola, ele tem que ter um futuro melhor do que o meu. Sei que meu trabalho é decente e honesto, mas ele merece ser o médico que tanto sonha… Será que ele está bem? Será que a febre baixou? Assim que tiver uma folga aqui vou dar uma escapadinha pra ligar pra casa. E vai ser tão difícil hoje, o restaurante está tão cheio… Mas preciso dar um jeitinho! Estou preocupada demais, daqui a pouco o chefe reclama que estou lenta. Melhor eu ligar logo. Vou só deixar o vinho na mesa e… Oh, não! Não acredito que o rapaz me empurrou! O vinho caiu todinho no vestido da moça! Oh, Deus! É agora que vou ser demitida! Não! Por que eu? O que vou fazer agora? Meu filho”…
Stéfanie Rhoden
Este texto escrevi para ser publicado no meu antigo blog Infamidades, em 19/04/08. Hoje apenas fiz algumas correçõezinhas.