Recebi esse texto por e-mail como tendo sido escrito por Ariano Suassuna. Não sei se o autor é mesmo ele, mas vale muito a pena ler e refletir sobre isso.
Eu detesto forró e, como detesto, não vou atrás para ver o que está sendo cantado e produzido por aí. Por isso, me assustei ao ler o texto, afinal, não tinha noção de que já tinha chegado a esse ponto. Não sou moralista, mas concordo com o autor do texto: há alguma coisa muito errada por aí.
CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA SOBRE O FORRÓ ATUAL
‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:
Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
Zé Priquito (Duquinha),
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
Chefe do puteiro (Aviões do forró),
Mulher roleira (Saia Rodada),
Mulher roleira a resposta (Forró Real),
Chico Rola (Bonde do Forró),
Banho de língua (Solteirões do Forró),
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).
Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na platéia’, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.
Ariano Suassuna
Procurando cumprir minha meta de assistir a pelo menos 75 filmes novos este ano (ainda estou no número 33 por causa da faculdade, mas nas férias dou um up nisso aí), assisti a “Preciosa”. E até agora não consegui tirá-lo da cabeça.
Gente, o filme é tão real que chega a doer!
Baseado no livro “Push”, de Sapphire, conta a história de Claireece Precious Jones, uma garota de 16 anos que tem uma vida pesadíssima. Pobre, afro-americana, é abusada sexualmente pelo pai e está grávida dele pela segunda vez. A mãe, que não consegue lidar com o fato de que seu namorado prefere dormir com a filha do que com ela, abusa moralmente dela. A consequência é uma garota obesa que, apesar de frequentar a escola, é semianalfabeta, não tem um pingo de autoestima ou esperança e cheia de raiva dentro de si. Mas tudo muda quando ela vai para uma escola alternativa. Taí o trailer:
O filme traz no elenco a novata Gabourey Sidibe, interpretando Precious, Lenny Kravitz, Mariah Carey (irreconhecível ao parecer uma mulher comum!!!), Mo’Nique e Paula Patton.
Eu vi algumas pessoas cheias de expectativas para verem Mariah Carey no filme, então, vou logo avisando: ela não faz mais do que três cenas e suas aparições são bem coadjuvantes. Tanto que eu ficava olhando e pensando: “Gente, eu conheço essa mulher de algum lugar!!”… uhauhauha… Ah, sim! Idem para Lenny Kravitz! Acho que ele só aparece em duas cenas.
O filme realmente merece todos os prêmios aos quais foi indicado. Vale muito a pena assistir! Mas se prepare: Precious vai mexer com você.
E eu, como futura psicóloga… Nossa, não sei o que faria com essa menina… Ai, ai! Profissãozinha essa que eu fui escolher, hein?
Gente, se vocês nunca levaram a sério qualquer coisa que eu tenha escrito neste blog, peço que levem hoje. De verdade.
Acabei de ler um dos livros mais lindos do mundo: “A Cabana”, de William P. Young. O livro conta a história de Mack, um homem mergulhado no que ele chama de “A Grande Tristeza” após o assassinato brutal de Missy, sua filha caçula. Um dia Mack recebe um bilhete supostamente escrito por Deus, querendo encontrá-lo na cabana onde ocorreu o assassinato de sua pequena. Curioso, Mack vai até lá. E tem o final de semana mais incrível de sua vida.
E os leitores também.
Apesar de ser Espírita e discordar de muitas partes do livro, eu me senti profundamente tocada por aqueles diálogos e pela forma que o autor tratou o amor de Deus por nós. Em vários momentos vi Mack perguntar as questões que afligiam a minha alma. E em vários outros trechos eu tive que enxugar as lágrimas e engolir os soluços, experimentando a sensação da paz e do meu próprio encontro com o Paizinho. Sim, meu próprio encontro. Porque quando eu começava a desejar estar no lugar de Mack, sentada no cais ou trabalhando em um jardim com Ele, simplesmente me lembrava de que eu posso ter esse meu encontro em qualquer lugar, em qualquer hora. E assim foi.
Mesmo tendo a consciência de que aquele livro foi escrito por um homem – um presente aos seus filhos, segundo o autor -, é nítido que ele teve alguma inspiração divina. Esse livro me tocou profundamente e eu posso afirmar que me sinto uma pessoa melhor agora. Fiz um acordo comigo mesma: ler “A Cabana” em janeiro de cada ano que eu viver, apenas para manter meu coração iluminado e, claro, absorver cada vez mais das palavras sábias e amorosas do livro. E é por isso que eu o estou indicando hoje: desejo imensamente que experimentem essa mesma sensação que estou experimentando, de confiança total no amor de Deus por nós.
É isso! Leiam “A Cabana”.
Beijocas!
Já que mudei o dia do meu Evangelho no Lar, resolvi mudar aqui também a mensagem da semana. Será agora aos Domingos, para que vocês comecem a semana com uma boa mensagem para refletir. E a de hoje é lindíssima e é uma história real.
A Força da Fé
“Quando o amor e a fé estão juntos, não existem limites para a esperança”…
“Na Romênia, um homem dizia sempre a seu filho:
‘Haja o que houver, eu sempre estarei ao seu lado’.
Houve, nesta época, um terremoto de intensidade muito grande, que quase arrasou as construções existentes na cidade.
O homem, no momento do terremoto, estava numa estrada. Ao ver o ocorrido, correu para a casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho, nesta hora, estava na escola.
Foi imediatamente para lá e chegando, encontrou-a totalmente destruída. Não restou uma única parede em pé.
Tomado de uma enorme tristeza e desespero, ficou ali ouvindo, no seu íntimo, a voz feliz de seu filho e sua promessa:
‘Haja o que houver, eu sempre estarei ao seu lado’.
Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição. A voz de seu filho e sua promessa não cumprida o dilaceravam. Mentalmente percorreu inumeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando a sua mãozinha. O portão (que não mais existia), corredor, olhava as paredes, aquele rostinho confiante. Passava pela sala do 3º ano, virava ao corredor e o olhava ao entrar na sala.
Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto. Portão, corredor, virou à direita e parou em frente ao que deveria ser a porta da sala. Nada! Apenas uma pilha de material destruído. Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe. Olhava tudo desolado. E continuava a ouvir sua promessa: ‘Haja o que houver, eu sempre estarei ao seu lado’. E ele não estava lá na hora do terremoto.
Começou a cavar som as mãos. nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afastá-lo dizendo:
-Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém.
Ao que ele retrucava:
-Você vai me ajudar?
Mas ninguém o ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam. Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrevivido ninguém. Havia outros locais com mais esperança.
Mas este homeme não esquecia sua promessa ao filho e a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retirá-lo de lá era:
-Você vai me ajudar?
Mas eles também o abandonavam.
Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa.
-Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram ajudá-lo, pois continua havendo explosões e incendios. Ele retrucava:
-Você vai me ajudar?
-Você está cego pela dor e não encherga mais nada. Ou então é a raiva da desgraça.
-Você vai me ajudar?
Um a um todos se afastavam. Ele trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali.
Cinco, dez, vinte e quatro, trinta horas se passaram. Já exausto dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto. Até que, ao afastar uma enorme pedra, sempre chamando pelo filho, ouviu:
-Pai… estou aqui!
Exultante e feliz, o pai teve um descontrole de alegria e fazia mais força para abrir uma vão maior e perguntou:
-Filho, você esta bem?
-Estou. Mas com sede, fome e muito medo.
-Tem mais alguém com você?
-Sim, dos 36 da classe 14 estão comigo, estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos todos bem.
Apenas conseguia-se ouvir seus gritos de alegria.
-Pai, au falei a meus amigos que podiam ficar sossegados, pois meu pai iria nos achar. Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora: “Haja o que houver, meu pai estará sempre a meu lado.”
-Vamos, abaixe-se e tente sair por este buraco.
-Não deixe eles saírem primeiro. Eu sei que “haja o que houver, você estará me esperando!
LEGRAND. Códigos Eternos – Caminhos e atalhos para aqueles que buscam felicidade e
equilíbrio. 3ª Edição, Editora Soler. Belo Horizonte, 2007.
A Beneficência
“Todos vós, que podeis produzir, dai; dai o vosso gênio, dai as vossas inspirações, dai o vosso coração, que Deus vos abençoará. Poetas, literatos, que só pela gente mundana sois lidos!… satisfazei-lhe aos lazeres, mas consagrai o produto de algumas de vossas obras a socorros aos desgraçados. Pintores, escultores, artistas de todos os gêneros!… venha também a vossa inteligência em auxílio dos vossos irmãos; não será por isso menor a vossa glória e alguns sofrimentos haverá de menos.
Todos vós podeis dar. Qualquer coisa que seja a classe a que pertençais, de alguma coisa dispondes que podeis dividir. Seja o que for que Deus vos haja outorgado, uma parte do que ele vos deu deveis àquele que carece do necessário, porquanto, eu seu lugar, muito gostaríeis que outro dividisse convosco. Os vossos tesouros da Terra serão um pouco menores; contudo, os vossos tesouros do céu ficarão acrescidos. Lá colhereis pelo cêntuplo o que houverdes semeado em benefícios neste mundo”.
João (Bordéus, 1861)
(Não sei exatamente como citar a bibliografia do Evangelho, mas a mensagem foi retirada do Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIII – Não Saiba a Vossa Mão Esquerda o Que Dê a Vossa Mão Direita, item 16. 125ª Edição. Editora FEB, Rio de Janeiro, 2006).
A mensagem de hoje foi retirada do Capítulo 6 do Livro “Nosso Lar”, de André Luiz e psicografado por Chico Xavier.

“Chegado a essa altura, o vendaval da queixa me conduzira o barco mental ao oceano largo das lágrimas.
Clarêncio, contudo, levantou-se sereno e falou sem afetação:
- Meu amigo, deseja você, de fato, a cura espiritual?
Ao meu gesto afirmativo, continuou:
- Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indisponsável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar o esforço necessário de imposição esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira dalma. Quanto mais utilize o verbo por dilatar considerações dolorosas, no círculo da personalidade, mais duros se tornarão os laços que o prendem a lembranças mesquinhas. (…) Dor, para nós, significa possibilidade de enriquecer a alma; a luta constitui caminho para a divina realização. (…) As almas débeis, ante o serviço, deitam-se para se queixarem aos que passam; as fortes, porém, recebem o serviço como patrimônio sagrado, na movimentação do qual se preparam, a caminho da perfeição. (…)
Fez-se longa pausa. A palavra de Clarêncio levantaram-me para elucubrações mais sadias.
Enquanto meditava a sabedoria da valiosa advertência, meu benfeitor, qual o pai que esquece a leviandade dos filhos para recomeçar serenamente a lição, tornou a perguntar com um belo sorriso:
- E então, como passa? Melhor?
Contente por me sentir desculpado, à maneira da criança que deseja aprender, respondi, confortado:
- Vou bem melhor, para melhor compreender a Vontade Divina”.
LUIZ, André; XAVIER, Chico. Nosso Lar – A Vida no Mundo Espiritual. 59ª Edição. Editora FEB, Rio de Janeiro, 2007.
O Argumento Justo
À noite, em casa de Simão, transparecia um véu de tristeza na maioria dos semblantes.
Tadeu e André, atacados horas antes, às margens do lago, por alguns malfeitores, viram-se constrangidos à reação apressada. Não surgira consequência grave, mas sentiam-se ambos atormentados e irritadiços.
Quando Jesus começou a falar acerca da glória reservada aos bons, os dois discípulos deixaram transparecer, através do pranto discreto, a amargura que lhes dominava a alma e, não podendo conter-se, Tadeu clamou, aflito:
- Senhor, aspiro sinceramente a servir à Boa Nova; contudo, sou portador de um coração indisciplinado e ingrato. Ouço, contrito, as explanações do Evangelho; lá fora, porém, no trato com o mundo, não passo de um espírito renitente no mal. Lamento… lamento… mas como trabalhar em favor da Humanidade nestas condições?
Embargando-se-lhe a voz, adiantou-se André, alegando, choroso:
- Mestre, que será de mim? Ao seu lado, sou a ovelha obediente; entretando, ao distanciar-me… basta uma palavra insignificante de incompreensão para desarmar-me. Reconheço-me incapaz de tolerar o insulto ou a pedrada. Será justo prosseguir, ensinando aos outros a prática do bem, imperfeito e mal qual me vejo?!…
Calando-se André, interferiu Pedro, considerando:
- Por minha vez, observo que não passo de mísero espírito endividado e inferior. Sou o pior de todos. Cada noite, ao me retirar para as orações habituais, espanto-me diante da coragem louca dentro da qual venho abraçando os atuais compromissos. Minha fragilidade é grande, meus débitos enormes. Como servir aos princípios sublimes do Novo Reino, se me encontro assim insuficiente e incompleto?
À palavra de Pedro, juntou-se a de Tiago, filho de Alfeu, que asseverou, abatido:
- Na intimidade de minha própria consciência, reparo quão longe me encontro da Boa Nova, verdadeiramente aplicada. Muita vez, depois de reconfortar-me ante as dissertações do Mestre, recolho-me ao quarto solitário, para sondar o abismo de minhas faltas. Há momentos em que pavorosas desiluções me tomam de improviso. Serei na realidade um discípulo sincero? Não estarei enganando o próximo? Tortura-me a incerteza… Quem sabe se não passo de reles mistificador?
Outras vozes se fizeram ouvir no cenáculo, desalentadas e cheias de amargura.
Jesus, porém, após assinalar as opiniões ali enunciadas, entre o desânimo e o desapontamento, sorriu, tocado de bom humor, e esclareceu:
- Em verdade, o paraíso que sonhamos ainda vem muito longe e não vejo aqui nenhum companheiro alado. A meu parecer, os anjos, na indumentária celeste, ainda não encontram domicílio no chão áspero e escuro em que pisamos. Somos aprendizes do bem, a caminho do Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo impulso da videira que se eleva para o céu, depois de nascer no obscuro seio da terra, alastrando-se compassiva, para transformar-se em vinho reconfortante, destinado à alegria de todos. Mas, se vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e bons em favor da obra geral de salvação, não me parece que os anjos devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos no campo de lições da Terra. O remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante… De outro modo, penso, a Boa Nova de Salvação se perderia por inadequada e inútil…
As lágrimas dos discípulos transformaram-se em intenso rubor, a irradiar-se da fisionomia de todos, e uma oração sentida do Amigo Divino imprimiu ponto final ao assunto.
XAVIER, Chico, pelo espírito Neio Lúcio. Jesus no Lar. 34ª edição. Editora FEB, Rio de Janeiro, 2005.
Resumindo: somos todos imperfeitos e errantes. O que realmente conta, é o esforço que fazemos para lutar contra isso.
Tenham uma ótima semana!
A Força da Amizade
“Amigo é aquele que se preocupa com nossos problemas e não se incomoda com nosso sucesso”.
“Numa aldeia iraquiana, um orfanato dirigido por um grupo de religiosos foi atingido por um bombardeio.
Os missionários e duas crianças tiveram morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas uma menina de 8 anos, considerada em pior estado. Foi necessário chamar a ajuda por um rádio, e ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira da Marinha dos EUA chegaram ao local. Teriam que agir rapidamente, senão a menina morreria devido ao traumatismo e a perda de sangue. Era urgente fazer uma transfusão, mas como?
Após vários testes rápidos, puderam perceber que ninguém ali possuía o tipo de sangue necessário. Reuniram as crianças e entre gesticulações, arranhadas no idioma, tentaram explicar o que estava acontecendo e que precisariam de um voluntário para doar sangue.
Depois de um silêncio sepulcral, viu-se um braço magrinho levantar timidamente. Era um menino chamado Muhlá. Ele foi preparado às pressas ao lado da menina agonizante e espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele se mantinha quieto e com o olhar no teto.
Passado um momento, ele deixou escapar um soluço e tapou o rosto com a mão que estava livre. O médico perguntou-lhe se estava doendo e ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas. O médico ficou preocupado e voltou a lhe perguntar, e novamente ele negou. Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso e ininterrupto. Era evidente que alguma coisa estava errada.
Foi então que apareceu uma enfermeira iraquiana vinda de outra ala. O médico pediu então que ela procurasse saber o que estava acontecendo com Muhlá. Com a voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele e explicando algumas coisas, e o rostinho do menino foi se aliviando. Minutos depois ele estava novamente tranquilo.
A enfermeira então explicou aos americanos:
- Ele pensou que ia morrer, não tinha entendido direito o que vocês disseram e estava achando que ia ter que dar todo o seu sangue para a menina não morrer.
O médico se aproximou dele, e com a ajuda da enfermeira, perguntou-lhe:
- Mas, se era assim, por que então você se ofereceu a doar seu sangue para ela?
E o menino respondeu simplesmente:
- Ela é minha amiga!”
LEGRAND. Códigos Eternos – Caminhos e atalhos para aqueles que buscam felicidade e
equilíbrio. 3ª Edição, Editora Soler. Belo Horizonte, 2007.
Vocês tem um amigo assim?

Eu tenho!
Dina e eu… Ai saudade que aperta!
O Gesto de Bryan
“Tudo o que fazemos é o que recebemos de volta”.
“Ele quase não viu a senhora, com o carro parado no acostamento. Mas percebeu que ela precisava de ajuda. Assim, parou seu carro e, se aproximou. O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho. Mesmo com o sorriso que ele estampava na face, ela ficou preocupada. Ninguém tinha parado para ajudar durante a ultima hora. Ele iria aprontar alguma? Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto.
Bryan pôde ver que ela estava com muito medo e disse:
- Eu estou aqui para ajudar, madame. Por que não espera no carro onde esta quentinho? A propósito, meu nome é Bryan.
Bem, tudo que ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora era ruim o bastante. Bryan abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro. Logo ele já estava trocando o pneu. Mas ele ficou um tanto sujo e ainda feriu uma das mãos.
Enquanto ele apertava as porcas da roda ela abriu a janela e começou a conversar com ele. Contou que era de St. Louis e só estava de passagem por ali e que não sabia como agradecer pela preciosa ajuda. Bryan apenas sorriu enquanto se levantava. Ela perguntou quanto devia. Qualquer quantia teria sido muito pouco para ela. Já tinha imaginado todos as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se Bryan não tivesse parado.
Bryan não pensava em dinheiro. Aquilo não era um trabalho para ele. Gostava de ajudar quando alguém tinha necessidade e Deus já lhe ajudara bastante. Este era seu modo de viver e nunca lhe ocorreu agir de outro modo. Ele respondeu:
- Se realmente quiser me reembolsar, da próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê para aquela pessoa, a ajuda que precisar.
E acrescentou:
- … e pense em mim.
Ele esperou até que ela saísse com o carro e também se foi. Tinha sido um dia frio e deprimido, mas ele se sentia bem, indo para casa, desaparecendo no crepúsculo. Algumas milhas abaixo a senhora encontrou um pequeno restaurante.
Ela entrou para comer alguma coisa. Era um restaurante sujo. A cena inteira era estranha para ela. A garçonete veio ate ela e trouxe-lhe uma toalha limpa para que pudesse esfregar e secar o cabelo molhado e lhe dirigiu um doce sorriso, um sorriso que mesmo os pés doendo por um dia inteiro de trabalho não pode apagar.
A senhora notou que a garçonete estava com quase oito meses de gravidez, mas ela não deixou a tensão e as dores mudarem sua atitude. A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem a um estranho.
Então se lembrou de Bryan. Depois que terminou a refeição, enquanto a garçonete buscava troco para a nota de cem dólares, a senhora se retirou.
Já tinha partido quando a garçonete voltou. A garçonete ainda queria saber onde a senhora poderia ter ido quando notou algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha mais 4 notas de $100 dólares. Havia lagrimas em seus olhos quando leu o que a senhora escreveu. Dizia: “Você não me deve nada, eu já tenho o bastante. Alguém me ajudou uma vez e da mesma forma estou lhe ajudando. Se você realmente quiser me reembolsar não deixe este circulo de amor terminar com você”.
Bem, havia mesas para limpar, açucareiros para encher e pessoas para servir. Àquela noite, quando foi para casa e deitou-se na cama, ficou pensando no dinheiro e no que a senhora deixou escrito. Como pode aquela senhora saber o quanto ela e o marido precisavam disto? Com o bebê para o próximo mês, como estava difícil! Ela virou-se para o preocupado marido que dormia ao lado, deu-lhe um beijo macio e sussurrou:
- Tudo ficará bem; eu te amo, Bryan”.
LEGRAND. Códigos Eternos – Caminhos e atalhos para aqueles que buscam felicidade e equilíbrio. 3ª Edição, Editora Soler. Belo Horizonte, 2007.
E estou dando por inaugurada aqui no Bonde a seção das Mensagens da Semana. Já não é novidade a ninguém que sou espírita. Assim, às terças-feiras, vou postar aqui uma mensagem que li durante a semana e que achei que deveria repassar a vocês. Mas os não-espíritas podem ficar tranqüilos que terei o cuidado de passar mensagens válidas a todas as religiões – e até mesmo aos ateus, já que, independente de crença, o amor e respeito ao próximo são coisas que devem ser praticadas diariamente.
Já havia lido esta mensagem antes, mas eu a reli hoje pela manhã. É uma valiosa lição retirada do Evangelho Segundo o Espiritismo.
A INDULGÊNCIA
“Espíritas, queremos falar-vos hoje da indulgência, sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.
A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que não se tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.
A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. Quando criticais, que conseqüência se há de tirar das vossas palavras? A de que não tereis feito o que reprovais, visto que estais a censurar; que valeis mais do que o culpado. Ó homens! quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?
Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.
Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita”.
José, Espírito protetor (Bordeaus, 1863)
(Não sei exatamente como citar a bibliografia do Evangelho, mas a mensagem foi retirada do Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X – Bem-aventurados os que são misericordiosos, item 16. 125ª Edição. Editora FEB, Rio de Janeiro, 1996).
Há algum tempo eu tenho tentado praticar isso. E lhes digo com toda a sinceridade: não é fácil. Não é fácil ver os erros dos outros e não criticar. Não é fácil cuidar da própria vida e deixar que cada um cuide da sua. Muito menos conseguir perdoar o que nos é feito.
O que é fácil é rir do outro e sair divulgando seus erros, tentando ridicularizá-lo ou rebaixá-lo diante de todos. Também é muito fácil apontar o que têm feito de errado e fechar os olhos para nossos próprios erros. E como eu já fiz isso, Deus do Céu! E que atire a primeira pedra aquele que nunca fez. Todos temos telhados de vidro por aqui, mas Deus é tão bondoso que nos dá a oportunidade diária de rever nossos atos e tentar melhorar. Por isso, meus amigos passageiros deste modesto Bondinho, não desperdicem o seu tempo e muito menos essa oportunidade tão maravilhosa que nos é concedida a cada novo dia que nasce. Cada dia é uma oportunidade de recomeçar.
Pensem nisso!
Um ótimo restante de semana para todos.