Hoje eu estava voltando do trabalho correndo, torcendo pra chegar em casa antes da chuva. Mas como minha vida é regida pela Lei de Murphy, no meio do caminho começou a chover. Liguei o “dane-se” e parei de andar depressa, tentando aproveitar os pingos no corpo, pensando que a época da seca estava chegando e eu sentiria saudades daqueles momentos. Foi então que eu vi uma coisa que me deixou pensativa: no meio da calçada havia um formigueiro e uma gota de chuva caiu bem na entrada dele.
Vocês já pararam pra pensar no que uma chuva significa para uma formiga? Um desastre, naturalmente! Uma gota de chuva caindo sobre elas deve ser mais ou menos como sentir um prédio inteiro de concreto caindo na gente. Aquelas menores são as que mais me preocupam: uma gota no chão pode afogá-las!
Enquanto eu via aquela chuva batendo no formigueiro, eu quis me agachar e tentar ajudá-las. Imaginem só! Todos os dias as formigas procuram material pra construir sua casa e, sem nenhum cálculo matemático, conhecimento de engenharia ou qualquer coisa do tipo, elas fazem uma moradia perfeita, eficazmente elaborada. Então, vem a rainha e bota os ovinhos, enquanto as operárias vão atrás de comida pra alimentar toda a comunidade. É uma sociedade admiravelmente perfeita, onde todos trabalham em prol de todos, sem interesses egoístas. Uma coisa admirável, que pode nos servir tão bem de exemplo na nossa vida. Mas que estava sendo destruída por uma chuva.
Então comecei a pensar nos desastres que poderiam estar acontecendo ali naquele momento. Imaginei as formigas correndo, tropeçando umas nas outras, no desespero do instinto da sobrevivência. Fiquei pensando se elas tentavam salvar os ovinhos ou se apenas tentavam não serem soterradas ou afogadas. Imaginei se entendiam o que estava acontecendo, se eram preparadas para aquilo, se sabiam que a destruição era parte da vida. Bem, eu não entendo nada de formigas, mas ao menos nós, seres humanos, sabemos todo o mecanismo por trás dos desastres naturais e, bem ou mal, imaginamos que isso possa acontecer a qualquer um de nós em algum momento da vida. Só não consegui chegar à conclusão de que era melhor saber ou ficar na ignorância. E antes que eu realmente começasse a tentar salvar as formigas, voltei a seguir o meu caminho.
Tentei afastar a imagem das formigas correndo, buscando um lugar seguro o bastante pra se salvarem e foi então que eu sorri. Sorri porque finalmente compreendi o que as pessoas mais sábias querem dizer quando afirmam que a felicidade e as grandes lições da vida estão nas pequenas coisas. Percebi que as formigas, assim que acabasse a chuva, se reuniriam e escolheriam um novo lugar para construir o seu formigueiro. E começariam tudo de novo, com a mesma força de vontade, com o mesmo propósito. Sem se preocuparem se vai haver uma nova chuva ou algum idiota que vai destruir suas casas por diversão. Elas simplesmente tentam outra vez, sem deixar que os medos ou o desânimo as impeçam de recomeçar. E elas conseguem!
E foi então que eu cheguei à conclusão de que realmente temos muito o que aprender com as formigas.
Stéfanie
Hoje eu queria escrever!
Mas escrever sobre o quê? Eu não sei.
Poderia falar sobre a formatura da minha mãe que, depois de 30 anos, finalmente vai ser uma jornalista!
Poderia falar sobre o vestibular que estou querendo prestar, sobre a insegurança de não conseguir, afinal, já há tanto tempo que terminei o 2º grau, mas ao mesmo tempo ficar feliz comigo mesma por acertar uma boa parte das questões de provas antigas…
Ou então eu poderia falar sobre a carreira meio encucada do meu irmão, sobre sua mudança ou não para uma cidade maior, sobre cada um da família seguindo o seu rumo…
Quem sabe sobre a angústia do concurso que não sai, minhas expectativas em me mudar, o frio na barriga em começar uma vida nova, longe da família, dos amigos e de tudo o que eu considerava seguro.
Talvez pudesse falar a respeito de alguma música nova que estou ouvindo, ou sobre as séries que estou acompanhando. Quem sabe até mesmo sobre algumas das notícias que tenho lido nos jornais.
Ou sobre o tempo frio e fresco que está fazendo em Palmas e a nostalgia que isso me dá.
Poderia também escrever uma ficção, uma narração. Idéias vêm aos montes, sempre povoando a minha cabeça, querendo sair, pedindo pra ir pro papel e ser julgada tão cruelmente por mim mesma. Por que a gente nunca gosta das coisas que faz? Aliás, poderia, inclusive, filosofar sobre isso, sobre pessoas perfeccionistas, que nunca estão satisfeitas consigo mesmas e sempre acham que as goiabas do vizinho são melhores.
Mas nada disso está hoje na minha alma. Nada disso está pedindo pra sair hoje.
O que quer sair é algo que está aqui dentro há alguns dias, mas eu não consigo colocar pra fora. O que está pedindo pra sair é um sentimento que ainda não consegui identificar. É uma vontade grande de mudar tudo, de dizer tudo, de gritar, de fazer e acontecer e, ao mesmo tempo, de ficar quietinha no meu canto, olhando, pensando, ponderando…
Muitas coisas acontecendo, boas e não tão boas. Muitas sendo aprendidas e outras tentando serem processadas. Um grito, uma voz, uma pessoa querendo sair, mas receando o mundo à sua volta. Saber o que precisa ser feito, mas faltar a coragem. Inseguranças passeando e pessoas dizendo para não dar ouvidos a elas. Você pode! Você consegue! Reaja! Se joga! Viva!
É estranho. É estranho se olhar no espelho e ver coisas tão diferentes do que se sente. É estranho ouvir pessoas falando a seu respeito coisas que sequer passam pela sua cabeça!
É triste. É triste olhar ao redor e não ver absolutamente nada e nem ninguém que eu gostaria de ver neste momento. É triste achar que o mundo está errado e que você é a única pessoa certa.
Mas é bom. É bom ver as pessoas que eu amo felizes. É bom sentir as sutilezas das mudanças internas e externas do meu mundo. É bom saber sorrir quando as coisas não estão bem. É bom sentir-se amada, querida, necessária. É bom ver as sementes que plantamos dar bons frutos. É bom sentir o vento da mudança…
A vida é uma coisa engraçada. Outro dia eu ouvi alguém dizer que sempre que vemos um espetáculo, não estamos com a alma aberta para apreciá-lo, mas sim para o erro das pessoas. Estamos sempre esperando que as bailarinas deixem de se sincronizar, que os atores errem suas falas ou que os cantores desafinem. E é verdade. O engraçado é que a gente vive assim também. Quando estamos felizes demais, sempre ficamos com medo de acabar a sensação ou estamos céticos demais para acreditar que aquela felicidade realmente existe. Por que nós somos assim? Por que esperamos sempre as coisas ruins acontecerem para vermos o quanto éramos felizes ou para passarmos a dar valor a coisas tão importantes, mas que sempre nos passavam batidos? Por que nunca aprendemos as lições quando as coisas estão bem? Sempre precisamos sofrer, levar um tapa na cara para acordar…
Tantas perguntas, tantas respostas…
É isso o que está pedindo pra sair. E saiu.
É. Eu não sei sobre o que escrever hoje. Mas queria escrever alguma coisa.
Eu agradeço a todos aqueles que riram e que tentaram levantar minha auto-estima quando eu postei as evidências do meu pé-frio no post sobre esportes, mas não há como negar, meus caros amigos.
Aos 10 anos, me pressionaram a escolher uma Escola de Samba pra torcer, como toda boa carioca. Na época eu me simpatizava pela Beija-Flor, mas confesso que me interessei pelo Salgueiro por métodos não muito confiáveis: foi a escola vencedora em 1993.
De lá pra cá, eu fiz de tudo pra ver os desfiles do Salgueiro. Se era muito tarde, eu tentava assistir à reprise, mas fazia questão de ver ao menos a comissão de frente. E acompanhava avidamente as apurações, torcendo, sofrendo e gritando. O que passou a acontecer? Beija-Flor foi campeã não sei quantas mil vezes e Salgueiro nadica de nada!
Ano passado foi a primeira vez que fiquei longe de tudo isso! Fui a um retiro espiritual e não tive contato nenhum com Carnaval ou nada disso. Adivinhem o que aconteceu! Salgueiro ficou em segundo lugar! Tudo bem. Até aí nada demais! Poderia ser uma coincidência. Afinal, em 1994, também ficou por um fio!
Mas eis que, em 2009, eu me rebelei! Chamei meus amigos e passamos todo o Carnaval assistindo “Damages”! Não quis saber de desfiles, de apuração, de coisa nenhuma! E adivinhem só! Salgueiro saiu vencedor!!!!!
Vencedor!! Primeiro lugar!!!
E aí? A que conclusão vocês chegam senão a de que sou uma grande pé-frio?????
Ps. Parabéns ao Salgueiro!!!
Stef: Aiii, sabe o que me deu vontade de comer agora?
John: O quê?
Stef: Pizza Margherita… Hummm…
John: : x
Stef: Voce não gosta, né John?
John: Não muito.
Mona: Eu até gosto, mas fico muito doidona!
Stef e John: ????????
Mona: Vocês estão falando da mesma coisa que eu?
Stef e John: hahahahahahahahahhahaha….
Ps. É bom estar de volta!
Desta vez fui perseguida por um personagem bem inusitado: Lampião!
“A situação estava feia na casa de Stéfanie. A falta de dinheiro obrigou os moradores a fazer da casa uma espécie de SPA. Assim, os banhos relaxantes na banheira e a piscina refrescante no calor infernal de Palmas, começaram a fazer sucesso.
Certo dia, uma senhora alugou o banho de banheira com vários sais e Stéfanie logo a reconheceu: era Sônia, sua professora de geografia do segundo grau. Enquanto ela preparava o banho da professora, as duas colocavam a conversa em dia e, de alguma forma, começaram a falar de livros. Sônia revelou estar lendo um dos livros do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato e passou a contar um pouco da história. Stéfanie já tinha lido vários do Sítio, mas ainda não conhecia aquele que a professora falava, o qual aparecia Lampião (???). Assim, a Sônia deu o livro para que Stéfanie o lesse enquanto ela tomava seu banho.
A parte a seguir do sonho é um pouco obscura, pois de alguma forma, enquanto eu lia o livro, Lampião saiu da história, assim como a Emília e a Narizinho. Lembro-me vagamente da Emília falar algo sobre o “pó de pirlimpimpim”, mas honestamente, não me lembro do que aconteceu para que saíssem do livro e fossem parar na minha sala.
Enquanto lanchavam, todos conversavam, contando suas aventuras. Lampião estava sentado ao lado de Stéfanie, que o observava atentamente. Ele não se parecia em nada com o que era mostrado nos livros de história! Lampião não estava vestido de cangaceiro e nem era feio a dar com o pau. O homem era bonitão! Baixinho, ranzinza, mas bonito. E estava vestindo umas roupas marrons de um tecido grosso, andava descalço e não usava aquele chapéu estranho.
Em um dado momento da conversa, Lampião falou o nome de uma cidade (que não me lembro agora) e dizia que era a capital de um país (que também não sei qual, só sabia que era na Ásia). Stéfanie discordou prontamente! Virgulino estava viajando! O cangaceiro teimou e ela, em sua terrível arrogância de virginiana quando acha que está certa (afinal, o que um cangaceiro que mal sabia ler poderia saber dos países da Ásia mais do que ela, que havia estudado?), resolveu tirar a prova. Mas, ao invés de ir incomodar a professora de geografia, resolveram olhar no Google. E pra surpresa dela, Virgulino estava certo.
- É, você tem razão, Lampião. – Stéfanie disse.
- Eu disse a você. – respondeu ranzinza o cangaceiro – E agora você vai ter o mesmo destino de todos que dizem que estou errado quando estou certo: o meu facão!
Stéfanie olhou para Lampião sem acreditar muito no que estava ouvindo. Afinal, aquele Lampião não era exatamente como o cangaceiro da história. Ele vinha de um livro infantil! Como um cara que vinha de um livro infantil poderia matá-la a sangue frio por uma coisa tão besta?
- Depois do almoço. – insistiu ele – Se prepare porque você vai morrer.
Stéfanie desceu, almoçou com todos da casa e do SPA. Na hora da sobremesa, estava conversando com sua mãe, quando Lampião subiu anunciando que ia buscar o facão. Ela olhou pra mãe que era da mesma opinião: Virgulino jamais cumpriria sua promessa por ter vindo do Sítio do Picapau Amarelo! Porém, as duas ouviram o cangaceiro descer as escadas afiando o facão.
- Corre, Stéfanie. – disse sua mãe baixinho – Por via das dúvidas, corre.
Assim, Stéfanie saiu da mesa sem fazer muito barulho e correu pelas ruas, sabendo que Virgulino estava atrás dela. Mas como era uma atleta (??????), Stéfanie tinha uma grande vantagem em cima de Lampião, que estava correndo descalço. Além disso, aquelas ruas eram familiares a ela, que morava ali há 14 anos.
Ao sentir que já não conseguia mais correr, Stéfanie virou uma esquina e pulou o muro (????) da casa de uma vizinha, rezando para que ali não tivesse cachorro. Conseguiu esconder-se antes que Lampião passasse por aquela rua e o viu seguir outro rumo diferente. Enquanto respirava fundo, Stéfanie viu um cachorro pastor alemão se aproximar.
- Calma. – dizia a si mesma – Se você não demonstrar medo, ele não vai fazer nada. Calma!
Foi então que apareceu mais um poodle, um pincher e um vira-lata. Os três cachorros vieram até Stéfanie para cheirá-la. Expert em psicologia canina, ela pensou que deveria brincar com eles e os chamou. Eles se aproximaram e viraram as barriguinhas para que ela pudesse acarinhá-los. No momento em que Lampião passava de novo pela porta da casa, o pastor alemão veio até Stéfanie. Vendo o cangaceiro logo à frente e o cachorro cheirando seus pés, ela tomou a decisão mais corajosa de sua vida: acariciou a cabeça do cachorro. Para seu alívio, ele começou a lamber sua mão.
Assim que Lampião, com o facão em punho, tomou outro rumo, Stéfanie resolveu entrar na casa. Havia ali um casal de velhinhos, que assistia a televisão.
- Com licença. – disse ela da porta da casa – Desculpe por invadir sua casa desse jeito, mas é que tem um cara me perseguindo, querendo me matar e eu queria saber se eu poderia me esconder aqui.
Os velhinhos arregalaram os olhos e, muito solícitos, disseram que sim. Então, ela se escondeu no cantinho de uma parede, sentada no chão, enquanto a velhinha colocava sua poltrona em sua frente. De onde ela estava, podia ver claramente Lampião andando de um lado para outro na rua, cada vez mais furioso. Em uma das vezes, ela o vi olhar para dentro da casa onde estava, mas Stéfanie se encolheu tanto, que o cangaceiro não a viu. O filho mais velho da velhinha chegou e perguntou o que ela fazia ali. Após contarem toda a história e ele só acreditar quando viu ele mesmo Lampião andando na frente de sua casa, o rapaz disse que Stéfanie deveria chamar a polícia, já que o cangaceiro era um homem cruel e poderia matá-los todos por escondê-la.
Stéfanie não entendeu como ela não havia pensado naquilo antes! Ainda escondida, discou o tal 190 e uma telefonista dizia que aquele número era só um número de emergência, mas que deveria ficar atenta pra ouvir o código para discar o tipo de emergência que teria. Irritada, Stéfanie desligou o telefone e a velhinha me falou o outro número da polícia (o engraçado é que eu acho que reconheço o número que ela me deu, mas não sei de onde… Mais tarde eu disco pra saber!). Assim, Stéfanie disca e fala com uma telefonista. Após contar toda a história, ela disse que chamaria o Detetive Gouveia (?????) e a colocou naquelas irritantes musiquinhas de espera. Enquanto esperava, Lampião passou novamente pela porta da casa e olhou fixo para dentro. Foi então que ele viu Stéfanie e sorriu. A velhinha, muito corajosa, perguntou:
- Você é o Dito-Cujo?
Stéfanie quis bater na velha senhora! Se Lampião tivesse alguma dúvida em tê-la visto, a velhinha acabara com todas elas!
- Sou eu mesmo. Lampião! – disse ele ainda sorrindo.
- Você é um monstro! – disse a senhora.
- Você não vai levá-la! – disse o filho dela.
- Não vou levá-la. – disse Lampião – Mas se ela não sair daí agora, eu vou matar todo o mundo dessa casa e mais esse bando de cachorro!
Stéfanie desligou o telefone, saiu de trás da poltrona e levantou as mãos.
- Estou aqui, Lampião. Por favor, deixe-os em paz. Eles não fizeram nada.
Lampião não respondeu. Apenas abriu o portão para que Stéfanie saísse. A velha senhora começou a chorar e segurou o braço dela.
- Não vá minha filha…
- Por favor, ligue para polícia novamente e fale com o Detetive Gouveia. – Stéfanie disse baixinho, sem que o cangaceiro ouvisse.
Ela abaixou a cabeça e saiu da casa junto de Lampião. Stéfanie já subia a rua em direção à sua casa, quando ele apontou um outro caminho: o da praça. Enquanto caminhavam, ela não observava muitas coisas. Estava triste, cabisbaixa, pensando que nunca imaginara que sua vida valeria menos do que um conhecimento sobre uma capital. Olhava para os lados imaginando como a polícia ia descobrir que estavam na praça ou se a bendita telefonista iria conseguir encontrar o detetive Gouveia antes que fosse tarde demais. Foi quando passaram em frente à Casa de Maria e Stéfanie levantou a cabeça para olhar. A missa ja havia terminado, mas ainda havia algumas pessoas ali rezando.
- Quer fazer suas últimas orações? – perguntou Lampião.
- Eu posso?
- Claro. Não vou mandar ninguém pro céu sem avisar. Vai lá. Mas não tente nenhuma gracinha!
Então, nós entramos na Casa de Maria. Havia ali muitas pessoas fazendo orações também e Stéfanie seguiu para a sala do Santíssimo. As luzes estavam acesas, tanto do altar quanto da sala em geral. Lampião se sentou em uma cadeira e ela se ajoelhou diante do Santíssimo.
- Que ironia eu estar numa casa católica depois de tudo. – Stéfanie pensou, embora soubesse que havia Espíritos Superiores ali.
Então, começou a rezar e com a emoção das palavras, vieram as lágrimas. Foi neste momento que Marúzia, uma amiga da família desde que Stéfanie tinha 2 anos de idade e a fundadora da Casa de Maria, apareceu.
- Oxente, Teté. O que foi? Tá chorando por quê?
Ao ouvir a voz da Tia Marúzia, Stéfanie se agarrou a ela e chorou desesperadamente, enquanto tentava acalmá-la com seu ainda forte sotaque paraibano.
- Tia Marúzia, você pode me fazer alguns favores?
- Claro. – dizia ela.
E sem contar o que estava acontecendo. Stéfanie começou a pedir que Marúzia desse alguns recados pra ela. A tia ouvia tudo com atenção, mas não entendia o que estava havendo.
- Aquele homem ali é Lampião! E ele vai me matar agora!
Marúzia olhou para aquele homem e não acreditou. Deu uma risadinha e olhou para Stéfanie, que, ainda em desespero, contou toda a história.
Porém, enquanto contava tudo, Stéfanie começou a ter uma calma surpreendente. Tinha certeza do que aconteceria dali pra frente.
Já havia dado tempo da velha senhora chamar a polícia, que já estaria a caminho. Lampião estava com umas roupas bem estranhas e ainda segurava um facão! Não seria difícil para a polícia encontrar um homem que chamasse tanta atenção assim. Eles invadiriam a casa, Lampião a tomaria como refém… Seria uma coisa muito dramática. A polícia começaria a negociar a liberdade de Stéfanie com o cangaceiro, que seria irredutível, até que algum atirador de elite escondido no telhado de alguma outra casa em frente, daria um tiro em Lampião e Stéfanie correria para junto da polícia. O final seria feliz, mas Stéfanie ainda pensava em quê exatamente ela deveria processar Lampião, para que ele ficasse um bom tempo na cadeia. Porém, Teddy, filho de Marúzia, era agora um advogado e Stéfanie sabia que seu “irmão” daria um jeitinho.
Ela enxugou as lágrimas e, quando a polícia entrou na Casa de Maria, Stéfanie acordou”.
Que horror! hahaha…
1. Minha casa virando um SPA?
2. Minha professora de geografia?
3. Lampião no Sítio do Picapau Amarelo?
4. Eu pulando muros e alisando cachorros?
5. Lampião sendo tão bonzinho a ponto de me deixar rezar antes de morrer? hehehehe…
6. E depois de tudo, eu pensando em processar o Virgulino? Vai ser detalhista assim lá não sei aonde! uhauhauha…
Depois me perguntam o porquê de eu insistir em dizer que o orkut seja bizarro…
Como assim? uhauhauha… E ainda por cima me incentiva a ser bisbilhoteira…
O de vocês tá assim também?
Acho que todo o mundo que freqüenta o Bonde sabe que sou Espírita, né? Terça-feira, dia 30, foi o último Evangelho no Lar que nós fizemos aqui em casa e eu pedi a Deus que nos enviasse uma mensagem para nos guiar durante o ano de 2009. Abri o Evangelho e achei a mensagem tão linda que fiz questão de dividir com vocês, nesse primeiro post do ano.

IV – Dá-nos o pão de cada dia.
Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo: mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.
O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.
Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte”. Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labora manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.
Ajudas o homem de boa vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV)
Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artifícies do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas. porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti. (Cap.V, nº 4).
Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.
Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem da Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.
Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.
Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.
Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, malgrado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto ès justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.
Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8 )
Afasta, igualmente, do nosso espírito a idéia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem, Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, 9, 12 e 18).
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII – Coletânea de Preces Espíritas, item IV. Editora FEB, 125ª edição. Rio de Janeiro, 2006.
Tradução de Guillon Ribeiro.
Muitas vezes nós vivemos nossas vidas em busca do supérfluo e acabamos não aproveitando, não vivendo e não agradecendo por tudo aquilo o que temos. Quantas e quantas vezes eu já não chorei e esperneei porque meus pais não tinham condições de me mandar para uma faculdade fora e me esquecia de agradecer pela oportunidade de poder fazer uma faculdade ou o quanto meus pais sofriam pra pagar todos os meses a mensalidade? Quantas vezes eu já maldisse Deus por ter me permitido viver com as seqüelas da doença que eu tive, sem ao menos me lembrar de que Ele me deu novamente a oportunidade de viver? Quantas vezes eu já fiz cara feia para o pãozinho francês quentinho, enquanto minha vontade era comer um belo brioche, sem sequer lembrar de que há tantas pessoas que seriam capazes de matar pelo mesmo pãozinho?
São exemplos até mesmo banais, mas exemplos do que acontece no nosso dia-a-dia. Esquecemos do quão agraciados nós somos e vivemos olhando a grama do vizinho, nos comparando a ele, percebendo o que ele tem de melhor e sofremos por isso.
Que 2009 seja um ano em que nós tenhamos que abrir os olhos e agradecer o Pão de Cada Dia. Não que seja errado desejar o Brioche de Cada Dia, mas que façamos isso sem sofrer, sem maldizer, sem inveja, mas com trabalho honesto e principalmente: que sejamos caridosos de dividir nosso Brioche com aqueles que não têm sequer a migalhinha do Pão…
À meia-noite de hoje, enquanto ouvia os fogos, fechei os olhos e pedi que Deus me desse saúde para que eu possa viver e aproveitar a oportunidade dessa minha existência, o combustível da alma: amor, sabedoria pra aprender com os meus erros, caridade para com o meu próximo, força de vontade para dominar os meus maus impulsos, trabalho para que eu possa conseguir o meu Pão e servir o meu próximo, equilíbrio físico e espiritual e principalmente: que Ele jamais me perca de vista um só segundo.
E é o mesmo que desejo a todos vocês.
Feliz 2009!
MEME de Melhores e Piores de 2008…
Melhor música: Não foi lançada em 2008, mas “Open your eyes” do Snow Patrol foi, sem dúvida, uma das músicas mais ouvidas nesses 365 dias.
Melhor banda: Vai para a Banda Vertikal, que gravou um CD pela Sony Music e será lançado em Janeiro! Preciso falar que sou irmã do baterista? hehehe…
Melhor cantor: Vai para Otávio Fraz, da Vertikal. ![]()
Melhor cantora: Vale a mamãe? Ops, Mara Rita?
Melhor filme: “Coringa, o Filme”… hehehe… “O Cavaleiro das Trevas”.
Melhor ator: Sem pensar duas vezes: Heath Ledger.
Melhor atriz: Patrícia Pillar.
Melhor interpretação: Heath Ledger e seu inesquecível Coringa.
Melhor novela: A única que dei uma olhada foi “A Favorita”.
Melhor programa de tv: Os Simpsons. hehehe…
Melhor série: Hum… Difícil escolher entre House, Brothers & Sisters, The Big Bang Theory e Lost.
Melhor propaganda: Não sei o que a propaganda vendia, mas mostrava velhinhos agindo como crianças. Muito fofo!
Melhor livro: “O Analista” de John Katzenbach.
Melhor revista: “Veja”, pelo terceiro ano consecutivo.
Melhor site: Peguei o Bonde Andando… e sentei na janelinha!!
http://pegaobonde.com
Pior música: “Amigo fura-olho”, do Latino.
Pior banda: NX Zero. Aii não agüento!
Pior cantor: Latino.
Pior cantora: Wanessa Camargo. Sempre ela!
Pior filme: Um filme com a Dania Ramirez, do Heroes. Horrível! Tanto que nem me lembro do nome!
Pior ator: O parceiro da Dania Ramirez no tal filme.
Pior atriz: Uma da Malhação. Não sei o nome da personagem e nem da atriz, mas…
Pior interpretação: O elenco em peso de Malhação.
Pior novela: Malhação.
Pior programa de tv: Novelas!
Pior propaganda: Algumas de perfumes importados.
Pior livro: Não li nenhum livro que seja classificado como “ruim”…
Pior revista: Contigo, Caras e afins.
Pior site: Não fico visitando sites ruins, mas entrei em uns blogs esses dias que… Vou te contar, viu?
Pessoa mais bacana: O jornalista que deu uma sapatada no Bush. hehehehehe… Maldade! ![]()
Pessoa mais pé no saco: Amy Winehouse.
Encheu a paciência: O sensacionalismo da imprensa sobre os casos Isabela e Eloá.
Mico do ano: Bush levando sapatada! hahahahahahahahaha…
Maior decepção: O caso Isabela.
Vai deixar saudades: Heath Ledger… :/
O acontecimento: Barack Obama!
Melhor acontecimento: Virei teacher!
Melhor saída: O baile de formatura do Teddy. Foi muito bom!
Melhor mês: Novembro e as tão esperadas chuvas!
Melhor surpresa: Receber uma cartinha linda dos meus alunos e mais vários recadinhos com direito a bombons e biscoitos no dia dos professores. Fiquei toda besta… ![]()
Melhor frase dita: “A coisa mais difícil da vida é sentir o que se pensa”…
Melhor frase ouvida: “Não se pode mudar o passado, mas se pode fazer um novo futuro”.
Melhor aquisição: Minha máquina fotográfica!
Melhor e-mail: Não me lembro do título, mas foi um dizendo que se Papai Noel existisse, seria Mamãe Noel… uhauhauha…
Melhor emotion do MSN: Uns beijinhos que roubei de alguém… hehe…
Melhor comida: As lasanhas da Mah.
Melhor invenção: O iPhone…
Melhor reencontro: A Jô e o Mozart.
Melhor mudança: Sair da Biomedicina e ser professora de inglês…
Melhor descoberta: Uma sidra de maçã sem álcool… Hummm…
Melhor viagem: Gurupi, para o EMOEST.
Melhor presente: Meu quarto novo! Reformas, guarda-roupa, estantes, cama… ![]()
Melhor momento: Ahh… O casamento da Suzana, a monografia da mamãe, a formatura do Teddy…
Melhor notícia: Você vai para Manaus!
Melhor decisão: Entrar para um cursinho. E parar de beber (como se eu fosse uma alcoólatra! hehehe).
Pior acontecimento: Reprovar alunos.
Pior saída: Noite Hispânica na escola em que dou aula.
Pior mês: Novembro também.
Pior surpresa: Ouvir uma puta bronca quando pensei que ouviria um grande elogio.
Pior frase dita: “O primeiro discman que surgiu foi para disco de vinil?”. Ahh, me disseram que era grande! hehehehehehe… Sem comentários, por favor!
Pior frase ouvida: “Agora só falta um homem pra dividir com você essa ‘camona’ de casal”. PQP!
Pior aquisição: Uns CD’s que ainda não ouvi. Não que sejam ruins, mas comprei sabendo que não ouviria. E não ouvi.
Pior e-mail: Um cartão de Natal que eu ainda não entendi.
Pior emotion: Continuo com os Winks.
Pior comida: Uma coisa meio estranha que comi na Noite Hispânica. Não era paeja, mas uma coisa nojenta e asquerosa. Eca!
Pior invenção: Fox dublada!!! ??? Ainda bem que já voltou ao normal.
Pior reencontro: Houve, mas prefiro não comentar.
Pior mudança: Vale mudança de opinião sobre alguém? Havia uma pessoa que eu adorava e que estou, tristemente, começando a criar birra.
Pior descoberta: Não suporto Biomedicina. :/
Pior viagem: Não tive viagens ruins.
Pior presente: Também não tive nenhum presente ruim!
Pior momento: Corrigir as provas de alguns alunos e me sentir totalmente incompetente.
Pior notícia: A viagem para Londres foi cancelada.
Pior decisão: Desistir do meu livro.
Vai deixar saudades: A Camila… :/
Vai demorar para superar: Também não quero comentar.
Maior arrependimento: Não ter feito a dieta que me propus a fazer…
Maior mico: Andar na pizzaria mais badalada de Palmas com um penico na cabeça como uma prenda por ter sido eleita funcionária do mês. Sacanagem! hehehe…
Maior obstáculo superado: Ah, fui muito corajosa esse ano! Me permiti fazer coisas que não teria coragem normalmente.
Tremi nas bases: Na primeira vez em que entrei em uma sala de aula e me deparei com os olhares curiosos dos meus alunos.
Música mais ouvida: “Open your eyes”, do Snow Patrol.
Momento marcante: Ouvir dos meus alunos que eu era “uma excelente professora!”. ![]()
O que teve em excesso: Estresse! Ano estressante esse… Bom! Mas estressante.
O que faltou: Meu Gianecchini… hehehe… Além de força de vontade e pulso forte.
Lema do ano: “Cada dia é uma pequena vida”…
Promessa de Ano Novo cumprida: Só fiz uma na virada do ano e não consegui cumprir.
Promessa de Ano Novo não cumprida: Não tomar refrigerante… hehehehe… Sem comentários!
Vai ficar para 2009: Minha pós-graduação.
Pra variar, vou quebrar os protocolos e indicar o MEME aos blogs amigos, parceiros e quem mais quiser!
Um 2009 cheio de paz e luz a todos!

“Estava bem claro em sua agenda o que deveria fazer: procurar um vídeo interessante para colocar em seu blog. Com mania de organização, havia até mesmo especificado o tempo para revistar o Youtube. Mas, ao se sentar à frente do computador, ela não tinha ânimo algum pra procurar nada na internet. Nem mesmo checar seus e-mails. Muito menos responder aos comentários no blog ou orkut. Ela só pensava em uma coisa: o encontro que tivera mais cedo. Se é que poderia ser chamado de ‘encontro’.
Lá estava ela, no supermercado, fazendo compras para o jantar. Escolhia com cuidado os produtos para não passar o valor do tão contado dinheiro que havia em seu bolso. De repente, ao avançar com o carrinho, ela a vê passar. As duas se viram, mas os olhos não se encontraram. As mágoas, as chateações do passado, a raiva nas palavras e os e-mails cruéis não permitiam esse contato. O mais natural era simplesmente virar o rosto e continuar as compras, como se nada tivesse acontecido.
Mas as coisas não foram bem assim.
Algo havia acontecido!
Com o coração aos pulos, não conseguia mais prestar atenção no rótulo do pão que segurava. A data de fabricação, apesar de estar bem destacada, fazia questão de desaparecer da frente dos seus olhos. Tudo o que pensava era naquela pessoa que foi tão importante em seu passado e que agora era uma estranha. Não porque a vida as fez assim, mas porque se obrigaram a serem desconhecidas uma para a outra.
De repente, todas as boas lembranças apareceram. As risadas, as confidências, os bons momentos, as lágrimas derramadas sendo acalmadas com a voz doce dizendo que tudo ficaria bem, a saudade nos tempos da faculdade, que as obrigavam a contar os dias dos feriados e férias para se verem de novo! Todos aqueles anos de amizade, de bela e pura amizade, simplesmente colocados numa lata de lixo. Aqueles olhares de cumplicidade, interpretados sem nenhum mistério, não conseguiam se encontrar.
Quanto tempo havia? Um ano? Dois? Isso. E ao longo desses dois anos, ela nunca havia deixado de se preocupar. A ex-amiga fazia parte de quase todos os seus sonhos, suas orações… Naquela mesma semana, ela imaginara por onde andara aquela garota, que não via há tanto tempo. Imaginara o que aconteceria se a visse novamente, se iria abordá-la, se iriam se falar… Mas tudo na fantasia foi tão diferente!
Todos esses pensamentos passavam por sua cabeça enquanto ela se forçava a observar a data de fabricação do pão. Decidiu que daria logo um fim nas compras e iria pra casa. Estava perturbada, chateada, triste, com o coração aos pedaços! Como uma pessoa tão importante em nossas vidas, como um carinho tão bonito, um amor de irmãs, podia se transformar em mágoas, raiva e sentimentos negativos?
Ela entrou na fila do caixa do supermercado e, para sua surpresa, a ex-amiga estava à sua frente, de mãos dadas com o novo namorado. E ela sequer sabia o nome dele! Que diferença da época em que sabia de cor todos os detalhes dos caras que passava pela vida dela!
Ficou ali, na fila, esperando, observando-a com os olhos baixos por alguns instantes. Por suas roupas, havia acabado de sair do trabalho também. E seus cabelos estavam tingidos de outra cor. Uma cor que sequer imaginaria que um dia a veria! Estava diferente, sem dúvida. Mas seria apenas seu exterior? Será que ela havia amadurecido também? Será que era agora uma mulher diferente da garota que chamava de amiga?
Levantou a cabeça por menos de um segundo. Deveria ir até lá e dizer ‘Oi, tudo bem’? Ou seria melhor continuar de cabeça baixa, fingindo que não a via?
Enquanto não se decidia, a moça do caixa ao lado acenou e ela, saindo da fila, foi até lá. Sem coragem de olhar de frente e encarar a ex-amiga. Virou novamente o rosto quando ela passou e sequer conseguiu ver sua expressão. Será que fechara a cara? Será que manteve o rosto indiferente? Será que ficara triste também?
Foi passando suas compras com o coração nas mãos. Quantas vezes pedira a Deus por aquele momento? Quantas vezes gostaria de encontrá-la novamente, abraçá-la e dizer o quanto ela fez falta naqueles dois anos? Quantas vezes imaginou que se veriam de novo, resolveriam os problemas e tudo seria como antes?
Mas as mágoas… As malditas mágoas!
A maldita raiva!
O maldito medo do orgulho ferido.
O medo de ir até lá e ser recebida a pontapés.
O medo da outra pensar que estava novamente bancando a santinha! Ou de achar que estava arrependida e que tivesse ido atrás dela como um cachorrinho!
Mas que diabos! Ela não aguentava mais aquela situação! Ela estava arrependida! Ela queria ir lá! Queria a amiga de volta! Por que não podia simplesmente chamá-la pelo nome e dizer tudo isso?
Por que gostamos de complicar as coisas mais fáceis?
Quantas vezes já lera textos sobre perdão, sobre oportunidades perdidas e jurara jamais perder um momento para se reconciliar?
Mas já era tarde. A ex-amiga saiu do supermercado de mãos dadas com o namorado e ela ficara ali, esperando a caixa terminar de passar as compras, se martirizando por dentro, por tudo o que havia pensado e planejado para aquela situação ter ido por água a baixo.
Mais uma oportunidade perdida. Mais um momento desperdiçado.
Saiu do supermercado pensando que na próxima vez não deixaria isso acontecer. Iria falar com ela, mesmo que fosse ignorada ou recebida com sua pior cara ou, pior, com indiferença. Estava decidida quanto a isso!
Mas a dor no coração a seguiu até em casa com uma horrível possibilidade povoando sua mente: a próxima vez pode não chegar.
A próxima vez pode ser tarde demais”.
Stéfanie
PS. Não preciso dizer que sou eu refletida neste texto, não é?
Pela primeira vez na minha vida fui homenageada ao invés de homenagear neste 15 de Outubro. E confesso que fiquei toda besta com o que meus alunos disseram e escreveram pra mim. Assim, quero repassar a todos os Professores e Professoras do Brasil a mensagem que uma das minhas pequenas me deu e deixou essa “Teacher” boboca com lágrimas nos olhos.

Professora!
Aquela ser especial
Que se emociona quando o aluno cresce
Que sorri quando escutam sua lição
Que aprende tanto quanto ensina
Cuja sabedoria está em saber ouvir
Em saber calar
Que ensina muito mais do
Escrever e contar
Ensina lições de vida
Lições do que é amar
A lição de ser um verdadeiro homem
Um verdadeiro cidadão.
E quando todos vão embora diante da luta
Ele está à frente da batalha
E não desiste nunca
Sabe que em suas mãos
Está a solução do país
Somente pela educação
Um povo pode ser feliz.
Parabéns Professora!
Parabéns a todos os professores do Brasil!!!
PS. Infelizmente não sei de onde ela tirou o texto e havia a autoria. Se por ventura alguém souber, me diga para que eu possa dar os devidos créditos.