Acho que todo o mundo que freqüenta o Bonde sabe que sou Espírita, né? Terça-feira, dia 30, foi o último Evangelho no Lar que nós fizemos aqui em casa e eu pedi a Deus que nos enviasse uma mensagem para nos guiar durante o ano de 2009. Abri o Evangelho e achei a mensagem tão linda que fiz questão de dividir com vocês, nesse primeiro post do ano.

IV – Dá-nos o pão de cada dia.
Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo: mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.
O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.
Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte”. Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labora manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.
Ajudas o homem de boa vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV)
Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artifícies do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas. porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti. (Cap.V, nº 4).
Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.
Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem da Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.
Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.
Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.
Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, malgrado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto ès justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.
Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8 )
Afasta, igualmente, do nosso espírito a idéia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem, Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, 9, 12 e 18).
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII – Coletânea de Preces Espíritas, item IV. Editora FEB, 125ª edição. Rio de Janeiro, 2006.
Tradução de Guillon Ribeiro.
Muitas vezes nós vivemos nossas vidas em busca do supérfluo e acabamos não aproveitando, não vivendo e não agradecendo por tudo aquilo o que temos. Quantas e quantas vezes eu já não chorei e esperneei porque meus pais não tinham condições de me mandar para uma faculdade fora e me esquecia de agradecer pela oportunidade de poder fazer uma faculdade ou o quanto meus pais sofriam pra pagar todos os meses a mensalidade? Quantas vezes eu já maldisse Deus por ter me permitido viver com as seqüelas da doença que eu tive, sem ao menos me lembrar de que Ele me deu novamente a oportunidade de viver? Quantas vezes eu já fiz cara feia para o pãozinho francês quentinho, enquanto minha vontade era comer um belo brioche, sem sequer lembrar de que há tantas pessoas que seriam capazes de matar pelo mesmo pãozinho?
São exemplos até mesmo banais, mas exemplos do que acontece no nosso dia-a-dia. Esquecemos do quão agraciados nós somos e vivemos olhando a grama do vizinho, nos comparando a ele, percebendo o que ele tem de melhor e sofremos por isso.
Que 2009 seja um ano em que nós tenhamos que abrir os olhos e agradecer o Pão de Cada Dia. Não que seja errado desejar o Brioche de Cada Dia, mas que façamos isso sem sofrer, sem maldizer, sem inveja, mas com trabalho honesto e principalmente: que sejamos caridosos de dividir nosso Brioche com aqueles que não têm sequer a migalhinha do Pão…
À meia-noite de hoje, enquanto ouvia os fogos, fechei os olhos e pedi que Deus me desse saúde para que eu possa viver e aproveitar a oportunidade dessa minha existência, o combustível da alma: amor, sabedoria pra aprender com os meus erros, caridade para com o meu próximo, força de vontade para dominar os meus maus impulsos, trabalho para que eu possa conseguir o meu Pão e servir o meu próximo, equilíbrio físico e espiritual e principalmente: que Ele jamais me perca de vista um só segundo.
E é o mesmo que desejo a todos vocês.
Feliz 2009!
3 Responses for "IV – Dá-nos o pão de cada dia"
Bela mensagem, Stéfanie!
Um 2009 com muita saúde pra ti, viu?
Beijos!!
@Rodrigo Piva -
Obrigada, Rodrigo.
Pra todos nós!
Oi querida Stéfanie tudo bem?
Quanto tempo não venho aqui?
Olha lindo seu post, adorei.
Desejo que o ano de 2009, lhe traga boas notícias.
Paz, saúde, amor e felicidades!!
Fique com Deus!!
Beijos
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