Hoje à noite abri o site da Uol pra ver as notícias e me deparei com esta no topo da página: USP desenvolve células-tronco embrionárias. Claro que fui até lá olhar!

A reportagem fala que é o primeiro resultado prático obtido no Brasil, desde que foi permitida a pesquisa com embriões humanos há três anos. Fala também que as pesquisas foram feitas com 35 embriões que os próprios genitores doaram e que estavam congelados em clínicas de fertilização in-vitro. É, sem dúvida um grande passo para a ciência! Sobretudo porque, segundo Lygia da Veiga Pereira, a líder da pesquisa, não vamos mais precisar importar as células-tronco para fazer nossas pesquisas, já que conseguimos bons resultados aqui.

Há algum tempo eu venho tentando definir meu posicionamento em relação à pesquisa com células-tronco. De um lado está a paciente Stéfanie, esperançosa por ver chegar o dia em que irá se beneficiar com as tais células. De outro lado está a Biomédica Stéfanie, que comemora mais uma vitória, mais um avanço na ciência. De outro ângulo vinha a brasileira Stéfanie, feliz em ver nosso país progredindo na área das pesquisas. De acordo com a reportagem, estamos 10 anos atrasados em relação aos Estados Unidos e ver estes resultados é ter a esperança de que poderemos colaborar com as pesquisas mundiais e ajudar a alavancar a medicina, dando fim a problemas como paralisias, mal de Alzheimer, transplantes, diabetes, entre tantas outras!

Mas completando o quadrado, vem a Stéfanie com suas crenças religiosas, tendo em mente a certeza de que o momento em que um espermatozóide, que é uma célula viva, encontra um óvulo, outra célula viva, e formam um zigoto, estamos falando de um ser humano.

Hoje, eu sou espírita e venho tentado ler várias coisas pra saber o que pensar, já que a Doutrina Espírita, por tudo o que tenho lido, não tem uma posição definida. Mesmo porque, como diz Mauro Gomes no site do Centro Espírita Ismael, quem tem posicionamentos são as pessoas e não a filosofia.

Kardec afirma que o espírito começa sua união com o corpo no momento da concepção, mas ela só se completa com o nascimento. É um ponto negativo, obviamente, uma vez que o espírito já estaria começando seu processo de encarnação e matar o embrião vai contra a Lei da Vida. Um embrião formado em laboratório tem também possibilidade de abrigar um espírito, afinal, ele poderia ser colocado dentro do útero materno, onde se desenvolveria normalmente.

Por outro lado, o Espiritismo é também Ciência. E é uma contradição das boas deixar o Espiritismo contra o avanço da Ciência.

Kardec também afirma que há embriões que não têm espírito, como é o caso dos natimortos. Assim, é perfeitamente possível um zigoto sem espírito. E também é sabido que os embriões congelados não têm espírito! Afinal de contas, se a união se completa no nascimento, um embrião que não tem condições de vida, que não poderia continuar seu desenvolvimento, não tem possibilidade de haver um espírito ligado a ele.

Pensando em tudo isso, acredito que as pesquisas feitas no Brasil são válidas. A Lei de Biossegurança só permite que embriões congelados há mais de três anos sejam utilizados e esses embriões não têm nenhum espírito ligado a eles. Então, todas as partes da Stéfanie estão felizes com a notícia!

A única coisa que ainda me preocupa é imaginar o que aconteceu com esses embriões antes de serem congelados… Mas essa é uma reflexão pra outro post.

 

 

Se quiser saber mais, dá uma lida na reportagem Reprodução Assistida, Células-Tronco e Clonagem Humana: Uma Reflexão Baseada em Kardec, de Mauro Gomes.

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